EDITORIAL
As usinas hidrelétricas estatais conseguem produzir energia muito mais barata que as termelétricas ou as hidrelétricas que vierem a ser implantadas pela iniciativa privada. Esta opinião do professor Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - manifestada em Curitiba no seminário que acaba de realizar-se para discutir temas ligados à energia elétrica e os impactos sobre os consumidores, que a privatização causa - faz coro com a posição do diretor-superintendente deste jornal, José Eduardo de Andrade Vieira, publicada dia 22 de fevereiro neste espaço.
A razão disto é que - como disse o diretor da Folha - o custo do investimento da maioria das usinas - assim como da Companhia Paranaense de Energia (Copel) - já está amortizado e são baixas as despesas de manutenção. O professor da Universidade carioca assume idêntica posição ao afirmar que o nível de endividamento das usinas públicas é baixo, pelo fato de que já houve amortização do investimento, o que garante o fornecimento de energia a preço mais baixo em face das melhores condições de competição.
Pinguelli afirma que estatais como Furnas e a Copel têm um custo de produção que varia entre R$ 4 e R$ 10 o megawatt/hora, e que uma termelétrica instalada hoje terá esse custo elevado para R$ 70, porque o gás natural que a moverá é importado da Bolívia, a preço cotado em dólar e portanto sujeito às cotações cambiais.
Outro argumento do professor da UFRJ - que reforça a corrente contrária ao plano do governo estadual de vender a Copel - é que o modelo de privatização do setor elétrico no Brasil não foi bem-sucedido. São dele as afirmações de que o grupo americano que assumiu o controle da usina Excelsa - a primeira a ser privatizada, há 10 anos - investiu US$ 500 milhões nos primeiros dois anos, e já no ano seguinte retirou US$ 300 milhões.
Isto demonstra que os investidores estrangeiros, na maioria, estão interessados em tirar lucros do Brasil e não em reinvestir aqui. Ademais porque, como citou o diretor deste jornal, nosso país ainda é considerado de alto risco, daí a preocupação dos capitalistas alienígenas em remeter lucros para fora o mais rápido possível.
Por estas e outras razões é que o apressado empenho do governo paranaense de vender a Copel precisa ser melhor examinado e submetido à decisão de toda a sociedade. Por ora está nas mãos da Assembléia Legislativa o futuro da estatal paranaense, pois dela depende a revogação da lei que autoriza o Executivo a desfazer-se da empresa. A Copel não pertence ao governador que ora ocupa o Palácio Iguaçu, mas aos cidadãos, e há que consultá-los. Nem os deputados podem omitir-se e ficar em atitude contemplativa deixando que as coisas aconteçam.





