A denúncia de desvios de dinheiro do núcleo londrinense do Programa do Voluntariado Paranaense-Provopar, que agora chega ao conhecimento público, não é um fato isolado mas se insere na doutrina de corrupção que dominou a administração municipal anterior. As emanações do alto comando encontravam abrigo nos redutos já propensos ao roubo - portanto receptivos. Assim, apossar-se do dinheiro público parece haver-se tornado um procedimento natural. Como a imoralidade estava instalada, a farra correu solta e muitos se locupletaram.
Pelo que anuncia o auditor da atual administração municipal, a soma desviada do Provopar, nos últimos dois anos, é de R$ 741 mil. Esse valor está sendo contestado, mas a auditoria já detectou que ao menos R$ 250 mil foram parar na conta bancária da ex-gerente do Provopar, que era funcionária de carreira e foi demitida, no começo do ano, em função da denúncia. A soma do desvio é muito expressiva e, sendo verdadeiro o montante anunciado, representa quase metade de toda a verba orçamentária destinada a esse órgão assistencial, em Londrina, no período.
Embora a corrupção governamental não constitua novidade, causa surpresa uma das fórmulas de desvio de dinheiro do Provopar: notas e cheques adulterados e o simples depósito de dinheiro público numa conta particular. Não seria menor o grau da corrupção se ocorresse por via de um golpe de mestre, nem por isso menos passível de condenação, mas choca a opinião pública constatar como a confiança na impunidade tornava fáceis e simplórias as manipulações de dinheiro público. Não alguns reais, mas soma elevada e, ademais, destinada a atender a carentes.
Desfaçatez demais, ou simplesmente uma resultante natural do estado de espírito que imperava na esfera administrativa municipal. A permissividade era flagrante e tudo indicava que o roubo se tornara coisa comum e aceita. O resultado final seria a cassação do prefeito e a denúncia de envolvimento de um vasto rol de figurantes, entre eles proeminentes políticos.
O roubo do dinheiro dos pobres, que agora se denuncia, deu o tom e a medida do que era capaz um certo grupo que cuidava dos negócios públicos municipais na segunda mais importante cidade do Paraná. Quando o mau exemplo vem de cima, a licenciosidade torna-se procedimento comum, e isto nunca foi tão marcante como na derradeira administração do prefeito populista. A história deixará marcado o registro deste período negro em que gato e ratos conviveram tão bem.

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