O próximo grande embate que deverá travar-se na Assembléia Legislativa será, com toda certeza, o que trata do propósito do governo de privatizar a Copel. E se os parlamentares seguirem a vontade popular, a privatização não acontecerá. Porque desde que o governo manifestou sua decisão de desfazer-se da empresa a reação do povo foi imediata, com a grande maioria das vozes bradando contra. A opinião pública - entenda-se os usuários do sistema de luz e energia, que são todos os paranaenses - é contrária à entrega da empresa à iniciativa privada.
Já se disse neste espaço que a venda da Copel não estabelecerá maior competitividade no setor e não trará redução do custo de produção que se traduza em benefício para os consumidores. Também não se sustenta a afirmação de que a Copel não dispõe de recursos para investimento em novas usinas. Além de ser uma empresa altamente lucrativa, há sempre o recurso da abertura do mercado para novos investidores, e de forma alguma se justifica que a Copel tenha que ser vendida.
Há uma ânsia governamental em desfazer-se da empresa, mas isto não ocorre por nenhum ideal de salvaguarda de interesses do Estado, como tem sido defendido por diretores da empresa, mas porque há ações cativas da Copel em mãos de credores e porque é alta a conta do Estado ‘‘no vermelho’’. A razão fundamental, portanto, não é outra senão fazer caixa, ademais porque vem se aproximando o final de mandato e não há tempo hábil para colocar as contas em ordem.
Depois de haver legado aos paranaenses a herança do pedágio, mais a dívida elevadíssima do Estado, que comprometerá os governos futuros, afora outras questões delicadas que certamente não serão resolvidas - como o ônus dos títulos públicos adquiridos e não honrados e o rombo da Banestado Leasing - a população paranaense espera que o governo do Paraná ao menos preserve o patrimônio que tem e deixe intacta a sua mais importante estatal - a Companhia Paranaense de Energia.
Evitar mais um dano para o Estado já será uma grande providência e uma herança pela qual os cidadãos de agora e do futuro agradecerão. O alerta ao Executivo vale também para a Assembléia Legislativa, em cujas mãos está o futuro da Copel, porque aos deputados cabe - se é que desejam preservar a Copel como estatal - revogar a lei de dezembro de 1998 que autoriza o Executivo a vendê-la. Os deputados da oposição levantam bandeiras contra a privatização, e correntes da ala situacionista já começam a perfilar entre os contrários à venda da empresa, que está muito bem estruturada e é altamente lucrativa - embora não se deva perder de vista sua função social.
Não há nenhuma necessidade de vender esse patrimônio, e se isto terá que ocorrer um dia, haverá de ser após amplo consenso de toda a sociedade paranaense, afinal a proprietária e mantenedora da empresa.

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