O advento do cartão de crédito facilitou a operacionalidade de compras e pagamentos, tanto para os usuários como para os lojistas, empresas de serviços e instituições que os aceitam. Também diminuiu o risco de falsificações e contribuiu para o menor uso do cheque, um instrumento já saindo de moda em muitos países desenvolvidos, até porque deixou de ser confiável, por não propiciar a quem o recebe a certeza da provisão de fundo. Já o cartão, ao menos nas compras à vista, elimina esse problema.
Mas, no Brasil, as operadoras dos cartões de crédito impõem taxas abusivas, demoram um mês para fazer o repasse do dinheiro e cobram mensalidade muito alta pelo uso do terminal. Os estabelecimentos comerciais, que precisam acompanhar a modernidade e já não podem dispensar o sistema, ficam obrigados a aceitar essas imposições, que caracterizam abuso e apropriação indébita, pela prática espoliadora de reter o valor principal pelo longo período de 30 dias, ou mais.
Agora a Associação Comercial e Industrial de Londrina inicia uma mobilização, que visa ganhar apoio das entidades congêneres de todo o País, visando modificar esse perfil dos cartões de crédito. O objetivo é obter a redução das taxas para os níveis internacionais, exigir o repasse em três dias e diminuir o custo do uso dos terminais.
A entidade argumenta, com razão, que as principais operadoras de cartões são as mesmas em todo o mundo, então não faz sentido que as taxas cobradas aqui sejam (para a grande maioria) de 3,95% a até 5%, significando três a quatro vezes mais que os demais países. Com o repasse ocorre idêntico abuso, pois aqui o prazo é 10 vezes maior. O custo mensal do uso do terminal é, em média, de R$ 62, e como são três as operadoras a conta sobe para R$ 186.
Custos tão elevados vão tornando proibitivo o uso do sistema pelas empresas de menor porte, que constituem maioria, no Brasil. As empresas maiores são penalizadas por aquelas imposições arbitrárias das operadoras, e as pequenas perdem competitividade por não poderem utilizar o sistema.
A previsão para este ano é de que as compras pelos cartões de crédito cheguem a R$ 30 bilhões, no Brasil, o que corresponde a 1/3 de todo o movimento do sistema, na América Latina. Valores muito expressivos para que as taxas não sejam adequadas aos níves internacionais. Agora, afinal, uma entidade lança o brado de protesto, fadado a ganhar dimensão nacional.
O Brasil não pode mais servir como mercado livre para especulação, tão evidenciada, ainda, nos juros extorsivos cobrados pelos bancos e que têm levado tantas empresas à bancarrota, por débitos que vieram se acumulando. A cruzada pela moralização do sistema dos cartões de crédito tem um campo vasto para estender-se e chegar também aos juros dos bancos.

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