É preocupante a situação do Paraná com o retorno de velhas doenças que já estavam sob controle, como a malária e a dengue. Afora essas enfermidades, grassam em nosso Estado a tuberculose, a leishmaniose, a hantavirose e a meningite viral.
Se o ressurgimento de velhas doenças e o crescimento de algumas outras são alarmantes, causa preocupação saber que as estratégias de prevenção e controle são ineficientes e os recursos escassos, pelo que afirmam os próprios especialistas. A rede pública da saúde está desmantelada - acusa um infectologista, em declaração a este jornal.
Doenças consideradas rurais estão chegando às cidades, em consequência do fluxo migratório das populações de baixa condição de vida, fenômeno que ocorre não apenas dentro do Estado mas também em escala nacional.
E não apenas por isto, mas também porque a ação predatória do homem destruiu a cobertura florestal e, como consequência, eliminou os predadores naturais dos mosquitos. Uma reação em cadeia que remete para a insensatez humana e se soma à negligência dos governos nas questões de saúde pública.
A malária, no Brasil, foi praticamente eliminada no passado, através das aplicações do DDT, mas esse produto altamente tóxico teve que ser proibido, pois se eliminava o mosquito causador daquela doença gerava outras, mais graves.
No caso do Paraná, pela palavra do secretário da Saúde, a preocupação maior é com a dengue, porque não se conhece uma forma de imunização, e se a pessoa adquire a doença uma vez, pode contraí-la de novo, com gravidade cada vez maior.
A queixa dos executivos da saúde é a limitação das verbas para esse setor. É certo que setores menos importantes têm sido melhor aquinhoados. No ano passado a verba orçamentária da saúde, no Paraná, foi de R$ 180 milhões, que subiu para R$ 297 milhões este ano, dos quais apenas 20% destinam-se ao controle e à prevenção. Pouca verba para muitos problemas.
O caminho é incrementar a política de medicina preventiva, o que deve ser feito pelo atendimento direto à população mas também através da difusão da informação, porque o desconhecimento é apontado como um dos grandes responsáveis pela proliferação das doenças.
Porém o dado mais entristecedor é que, se doenças tidas como da pobreza estão retornando, casos da malária e da dengue, é porque a vida de muitas pessoas tornou-se mais precária. E isto, mais que um problema de saúde, é um problema socioeconômico.

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