Neste mundo cada vez mais unificado pelo encurtamento das distâncias físicas e virtuais, que exige respostas imediatas – algumas antecipadas às próprias perguntas – não se pode descartar a demora brasileira em responder ao questionário canadense sobre a questão da vaca louca. O Brasil anda sempre mais lerdo, porque negligente e não preparado para enfrentar a concorrência internacional dos que andam velozes. Naturalmente que nesta corrida de jatos perde menos o que está no ar e muito mais o que retarda a decolagem.
O episódio, que resultou no embargo do Canadá à carne bovina enlatada do Brasil, que por extensão levou junto os Estados Unidos e o México, parceiros no Nafta, com repercussões negativas em todo o mundo, poderia ter sido evitado se nossos técnicos e a diplomacia não houvessem dado uma brecha, representada por essa demora. E também porque o Brasil, que tem 160 milhões de bois no pasto, não soube propagandear que nossos rebanhos comem capim e não ração animal, justamente a propagadora da encefalopatia espongiforme bovina, há vários anos conhecida e que ganhou o nome de vaca louca.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli, dá o tom dessa negligência, em declaração publicada neste jornal, e alerta que não bastará apenas dizermos que no Brasil a doença não existe, mas também provar que temos condições de competir em qualidade e quantidade, no mercado da carne bovina. Galli argumenta com o fato de que o rebanho brasileiro tem alta categoria genética, pelas condições climáticas que permitem a formação de excelente e abundante pastagem. Mas certamente que só nós ficaremos sabendo disto senão o dissermos aos nossos atuais e potenciais compradores de carne bovina.
Já há indicativos de que o impasse caminha para uma solução, com a anunciada vinda de uma missão técnica canadense, na próxima semana, e a ida de uma comissão parlamentar brasileira ao Canadá. E também porque o Brasil tem um arsenal pesado para jogar contra aquele país, se mantiver o embargo, como afirma o ministro Pratini de Moraes, da Agricultura. Se nessa briga o Brasil perde, o Canadá perde mais, porque, nos pratos da balança, mais nos vende que nos compra.
Porém, o episódio há de servir de lição ao Brasil, mostrando-nos que é preciso voar a jato nessa corrida de mercados e que não se pode dormir no ponto em retardos e burocracias. E se retaliação deverá ser paga com idêntica moeda, será preciso aprender a fazer essa jogada, porque esta tem sido a regra.
Que se prepare o Brasil para enfrentamentos desse gênero, doravante, se tem a ousadia de produzir bons aviões, que concorrem com os canadenses, e de apresentar outros bons produtos a ponto de mexer com os brios dos grandes, certamente perplexos e indagando como pode isto acontecer justamente com um país que, no conceito do mundo, só sabe sambar e jogar futebol... Mas só mostrando quem somos, o que temos e sabemos fazer de melhor é que removeremos esse equivocado conceito.

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