A sociedade deseja ver os ladrões do dinheiro público na cadeia, mas anseia acima de tudo que devolvam o que roubaram. Ou não teria sentido apenas colocar atrás das grades esses delinquentes se o objeto do roubo não for recuperado. Quando um ladrão comum é preso, a expectativa imediata da parte prejudicada é reaver os bens que lhe foram subtraídos. Nada mais coerente, portanto, essa exigência dos que foram vítimas dos dilapidadores do patrimônio público. E não é outro, senão este, o objetivo final das investigações e dos processos que correm na Justiça contra a gatunagem oficial.
Esse ideal, nunca - ou raríssimas vezes - alcançado se os roubos envolveram homens públicos, começa agora a transformar-se em realidade com a notícia de que, no começo desta semana, a Justiça sequestrou bens do ex-prefeito Jairo Gianoto, de Maringá, e de seu então secretário da Fazenda, Luis Paolicchi, por conta de desmandos que cometeram quando no exercício de suas funções na prefeitura.
Em Londrina processo idêntico acusa o prefeito cassado Antonio
Belinati, e o anseio primeiro da sociedade é que os valores desviados retornem as cofres públicos, sem prejuízo das demais penas daí decorrentes e previstas em lei. Na esfera federal o ex-juiz Nicolau dos Santos está preso, sob acusação de comandar desvios de grandes somas, no superfaturamento de obra pública, e o que se ouve da opinião pública é que só a cadeia não basta, mas será necessário a restituição do roubo.
Nada mais justo, porque os acusados possuem bens, que podem ser tomados em pagamento, e é evidente que os valores desviados estão em algum lugar. Na linguagem popular diz-se mocó, que tem a ver com os ladrões mais rasteiros, e paraíso fiscal para os casos dos gatunos mais refinados.
Certas correntes defendem que o fundamental para ressarcimento da pena nem é a cadeia, mas a devolução do roubo, com os devidos juros e correção monetária, e que atendida esta parte o acusado pode ser posto em liberdade. Infelizmente, o que ocorre no Brasil é que entre devolver bens e dinheiro ou ir presos, os denunciados preferem a cadeia, crentes - por sobra de exemplos - que podem livrar-se dela facilmente e, uma vez em liberdade, usufruir da riqueza alheia da qual se apropriaram.
Por isso que nenhum destes grandes acusados faz confissão de roubo nem acena com propósitos de negociação para devolução dos valores roubados, o que lhes amenizaria ou mesmo eliminaria a pena. Isto quer dizer que, mesmos envoltos em escândalo, eles continuam desonestos e revelam esse caráter pela ausência de um gesto de grandeza - se é que se poderia esperar isto deles - como o da admissão de seus desmandos. Mas não, os homens públicos, sobretudo, lutam por provar-se inocentes e mal escondem o anseio de ainda retornarem ao poder. - Muitos deles demonstram isto ao correrem para o recurso dos programas próprios em rádio e televisão - que arranjam pela simples compra de horário - para continuarem sua pregação falaciosa junto ao eleitorado incauto.

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