Os ambientalistas têm razões de sobra ao afirmar que a Petrobras não trata com seriedade a questão ambiental, porque os casos de vazamento de petróleo sucedem-se continuamente e já somam duas dezenas só de janeiro do ano passado até hoje.
O Paraná foi atingido por quatro deles, o último agora, com o vazamento do oleoduto da Serra do Mar. Porém, o mais grave tributo que nosso Estado pagou, por abrigar uma refinaria, foi o derramamento de 4 milhões de litros de petróleo sobre os rios Iguaçu e Barigui, fato ocorrido em junho do ano passado.
Passou a haver também desconfiança acerca das informações da empresa, que anuncia providências preventivas, porém os desastres ecológicos persistem, demonstrando que nada ou muito pouco está sendo feito para evitá-los.
A comunidade civil que abraça a causa da defesa ambiental caminha mais rápido que os órgãos públicos afins, e – caso do Paraná – está agora propondo uma reunião com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para cobrar-lhes ação mais enérgica sobre a Petrobras.
A proposta dessa comunidade é contratar técnicos internacionais para que elaborem um levantamento confiável, acerca da real situação das unidades da Petrobras, em todo o Brasil, justamente porque não há confiança nas informações oficiais. O custo dessa tarefa seria coberto com o dinheiro das multas cobradas da empresa por ocasião dos acidentes.
Biólogos e ambientalistas denunciam que a Petrobras não tem um sistema de manutenção eficiente e afirmam que discutir depois que os desastres acontecem nada resolve, porque tudo acaba se restringindo apenas à cobrança de multas.
Então, soa vazia a afirmação da gigante estatal de que vai providenciar um sistema de detecção de vazamento a laser, porque não bastará apenas detectar mas será necessário implantar sistemas seguros que não permitam, de forma alguma, a ocorrência de acidentes.
De nada resultariam sistemas de alarme, porque no episódio que agora ocorre no Paraná a Petrobras havia sido avisada sobre o deslocamento de terra na região, e assim mesmo não tomou nenhuma providência preventiva. A denúncia dessa negligência parte da própria Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa.
Só agora que o mal está feito, com 50 mil litros de óleo derramados em três rios, com peixes morrendo e vegetação sendo destruída, os técnicos mobilizam-se na tarefa de limpeza, que nunca será perfeita e deixará sequelas, porque o óleo desce até a profundidade e ali permanece, provocando contínua asfixia da fauna e da flora.
O acidente é gravíssimo, porque os rios atingidos servem como berçário de espécies marinhas e abrigam crustáceos e filhotes de peixes que depois vão para o mar. Sem falar dos animais que vão aos rios beber água e buscar alimentos, como aves e mamíferos.
Agora mesmo a Petrobras está buscando permissão do governo paranaense para implantar uma usina termelétrica a óleo em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba) e causa apreensão essa já demonstrada negligência da empresa com a preservação ambiental. O Paraná não pode ser um hospedeiro sempre pronto a abrigar empreendimentos de elevado risco, como refinarias petrolíferas e usinas – termelétricas a óleo, a gás ou a carvão, e mesmo hidrelétricas – que se trazem retorno econômico também causam grandes danos ambientais.

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