Entre a propaganda governamental e a realidade há sempre uma grande diferença, e já se vê que as 329 vilas rurais implantadas pelo governo do Paraná - um número realmente impressionante - estão longe de ser uma maravilha.
Com base na magia dos efeitos visuais que uma bem elaborada peça publicitária proporciona, esse programa ganha prêmios lá fora e agora mesmo será exposto em saguões da ONU e do Banco Mundial, em Nova York. Mas para as pessoas que estão com os pés na roça, que a conhecem e dela buscam viver, este projeto esbarra, no mínimo, em dois erros estruturais: a pouca terra para cada colono e a ausência de infra-estrutura. Então, as vilas rurais não são nem programa habitacional nem reforma agrária, porque um invalida o outro, eis que o mutuário tem que trabalhar fora, para subsistir, e por outro lado não pode pensar em fixar-se à terra porque ela não existe com suficiência para mantê-lo e à sua família.
Naturalmente que um programa destes é viável se proporcionar mais espaço para o plantio, e não apenas 5 mil metros quadrados (mais a casa de 44 m2), obrigando o operário rural a buscar trabalho nas grandes propriedades, como bóia-fria que sempre foi, ou correr para as cidades próximas. Com menos de 20 hectares (200 mil metros quadrados), qualquer projeto de assentamento agrícola é inviável economicamente. O governo admite que este não é um programa agrário mas visa apenas proporcionar moradia, porém o nome diz ‘‘vila rural’’, e se visa reter o homem no campo há que proporcionar-lhe mais terra.
Pela imensa extensão territorial do Paraná, face a uma população relativamente baixa em relação ao espaço, o governo está desperdiçando a oportunidade de fazer um programa modelo, capaz de contribuir, verdadeiramente, para a retenção do colono em seu natural hábitat. Faltou visão e busca de assessoramento de parte dos técnicos urbanistas instalados no governo. Os números mostram que muitas famílias já estão abandonando essas moradias, e que o modelo paranaense não foi adotado em nenhum outro Estado.
O programa - não obstante autofinanciável, pois o mutuário paga R$ 40/mês - acaba sendo assistencialista, porque proporciona baixo rendimento e não promove o que deveria ser um miniempresário rural, economicamente sustentável. Ao invés de constituir-se num agente de seu próprio crescimento, e por extensão da economia do Estado, esse homem e sua família continuam a perfilar entre os excluídos, por mais pompa que se dê a esse programa das vilas rurais.
Como são 350 mil os trabalhadores volantes (sem vinculação empregatícia), no Paraná, tanto que o programa só está podendo atender a 12.485 famílias, não faltam os que afirmam que isto é melhor que nada, porém há que afastar do vocabulário brasileiro essas figuras retóricas que cristalizam idéias de pobreza, porque o Paraná não é um Estado de escassez mas de muita abundância, e com terra mais do que suficiente para todos que sabem e querem trabalhar nela. O que se fizer doravante, nesse campo, terá que ser algo consistente, com vistas ao crescimento social e econônimo do cidadão e não ao assistencialismo.

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