O Paraná é auto-suficiente em produção de energia elétrica, então não se entende essa obsessão por construir mais usinas em território estadual. Há projetos para sete hidrelétricas às margens do Rio Tibagi e de mais cinco usinas termelétricas, ao tempo em que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) estuda inúmeros outros, de pequenas centrais movidas a água.
As termelétricas são poluentes e as hidrelétricas inundam áreas agricultáveis, pontos de interesse turístico, cascatas, sítios arqueológicos, regiões de conservação da biodiversidade, e expulsam seus moradores. Imagine-se o que irá significar para o Paraná, em termos de diminuição de produção agrícola, de danos ambientais e de problemas sociais, a criação de mais sete grandes inundações de terras e da poluição do ar com as usinas termelétricas. Mesmo as pequenas geradoras movidas a água não inundariam menos que 10 hectares cada, segundo informação do próprio IAP.
A corrida para as usinas deixa de ser uma necessidade estadual e transforma-se num negócio, altamente prejudicial para o Paraná, que é a maior reserva brasileira de terras férteis, responsável por 25% da produção nacional de grãos do País, afora todos os segmentos da pecuária e demais produtos da agricultura. Tudo produzem as terras brancas do Sul e as vermelhas do Norte, estas as segundas mais férteis do mundo depois das terras negras da Ucrânia.
O professor e físico José Bautista Vidal, um dos mais conceituados estudiosos brasileiros em questões de energia – e que concedeu, domingo, longa entrevista a este jornal – condena enfaticamente as idéias de usinas termelétricas. Porém, ao defender fontes como a biomassa e as usinas hidrelétricas, não atenta muito para o fato de que o Paraná não é o lugar para estas últimas, porque é a região do Brasil mais privilegiada para a produção de alimentos.
É isto que o Paraná deve, primordialmente, produzir, e não quilowatts. Porque já deu sua cota na produção nacional de energia elétrica, com Itaipu e várias outras grandes usinas, e um tributo muito alto que foi assistir, por conta disto, ao desaparecimento de uma de suas maravilhas, que eram as Sete Quedas.
Técnico do IAP, também em depoimento a este jornal, alerta que é preciso rediscutir a matriz energética do Paraná, e considera como fontes ideais as energias do sol e do vento – solar e eólica. Cita o exemplo de um projeto-piloto de Palmas, no Sul do Estado, que utiliza a eólica, e de algumas ilhas paranaenses onde foram instaladas células para captação de energia solar. São recursos que resolvem necessidades localizadas, porém o emprego de muitas delas afastaria as idéias de megausinas destruidoras do meio ambiente.
As gigantes já existentes – entre elas Itaipu, a maior do mundo e instalada em nosso território – atenderão por bom tempo à demanda de energia industrial, de iluminação pública e residencial. O suficiente para a tecnologia nos acenar com outros meios de obter energia, menos danosos, mais econômicos e mais limpos. Ao menos no Paraná não tem havido empenho na busca dessas fórmulas alternativas.

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