EDITORIAL
Um pequeno negócio, mas que serve de exemplo de que o trabalho em cooperação tem grande chance de converter-se em sucesso, é o de um grupo de mulheres de um bairro pobre de Londrina - objeto de reportagem de ontem, deste jornal - que estão confeccionando peças artesanais com retalhos de tecidos doados e já se organizam em cooperativa.
Ressalte-se no empreendimento a criatividade, o espírito de união e o entusiasmo dessas profissionais, mas sobretudo a presença da Universidade Estadual de Londrina-UEL, através de seu curso de Estilismo e Moda, que está dando a elas orientação técnica, e do curso de Administração, que irá ensinar-lhes gestão empresarial.
São quinze mulheres, todas pobres - entre elas algumas muito habilidosas, monitoras das demais - que aproveitam restos de pano e produzem colchas, bolsas, roupas exclusivas e outras peças, que são vendidas no comércio, feiras e eventos alternativos, já havendo projeto de abertura de uma loja própria. Cerca de 20% do total arrecadado tem fim social e é investido em cursos gratuitos à comunidade, destinados à formação profissional nesse setor.
O projeto londrinense - que emerge de um bairro de assentados - espelhou-se em modelo já existente na favela carioca da Rocinha e cujas confecções têm até compradores internacionais. A linha desses consórcios não é produção em série mas a criação de moda para público diferenciado, a partir de técnicas que essas profissionais já dominam.
Segundo os coordenadores do curso de Estilismo e Moda da UEL, uma das revelações desse experimento é a descoberta de jovens muito talentosas nessa arte de confecção e que estão se agregando ao projeto, todas moradoras desse bairro carente. No dizer da costureira-chefe desse consórcio, que funciona no porão de sua casa, colcha de retalhos deixou de ser coisa de pobre e agora é chique. Naturalmente porque bem confeccionada.
Não basta apenas confeccionar bons produtos para garantia de sucesso de uma empresa, pequena ou grande. Há necessidade da agregação da técnica, do marketing e da boa gestão empresarial. Como o trabalho de extensionismo que a Universidade está proporcionado a esse mininúcleo empresarial, e a doação que as empresas fazem dos retalhos.
Se a união faz a força, isto se evidencia ainda mais quando instituições fortes como a UEL entram na parceria e emprestam seus serviços, em harmônica integração com a comunidade, ao tempo em que exaltam a dignidade profissional dessas pessoas e resgatam o espírito de cidadania já tão obscurecido pelo estigma da pobreza e da discriminação.





