O livre manifestar-se é do direito dos cidadãos, e isto também inclui os governantes. Como é igualmente assegurado o direito de resposta, quando alguém julgar-se atingido por algo tornado público. Mas quando quem fala são homens do governo, a palavra ganha centuplicado poder e as repercussões assumem idêntica medida.
Agora o secretário das Comunicações do Governo do Paraná, Rafael Greca de Macedo, envolve-se em mais uma polêmica pública, motivada justamente por palavras inadequadas que ele pronunciou, atingindo não um eventual oponente político mas cidadãos do povo, assim ferindo toda uma comunidade.
‘‘São pessoas mal-educadas’’ - disse ele, referindo-se aos manifestantes da última segunda-feira, em Londrina, quando o governador chegava para inaugurar a reforma de um colégio.
Certamente que pessoas mal-educadas não eram, porém apenas manifestantes exercendo o livre direito de protesto por reivindicações não atendidas, mas a incontinência verbal já conhecida deste político envolve mais uma vez a imagem do governo, já bastante desgastada perante a opinião pública. Expõe-se o próprio secretário ao ridículo com suas excentricidades e declarações inoportunas.
Agora, respondendo a um leitor que se manifestou na seção de cartas deste jornal – um dos tantos que o vêm criticando pelo que disse – o secretário mais uma vez não contém o descontrole das palavras e qualifica-o de ‘‘entregue a maus pensamentos’’ e a ‘‘transe oposicionista’’. Mais cartas choverão, por esses esdrúxulos achados verbais do comunicador oficial do Estado, e mais respostas ele terá que dar.
A paranóia de qualificar de oposicionistas aqueles que os criticam parece tomar conta de todos os governos, quando cobrados publicamente. Mas que fiquem atentos os governantes aqui das terras paranaenses, para distinguir o que é a oposição político-partidária que lhes fazem os contrários e o que são as legítimas reivindicações populares, refletindo anseios não atendidos.
Se o debate é salutar, perde esse sentido se desviado do campo das idéias e tenha de fixar-se em desarranjos linguísticos como estes de que é muitas vezes acometido o agora secretário das Comunicações. As pessoas, em sua seriedade, acabam rindo e divertem-se. Não por culpa delas, mas porque os governantes lhes propiciam essas oportunidades.
Melhor rir, quem sabe esta seja mesmo a fórmula de mudar os costumes.

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