Se todos os cidadãos patriotas e conscientes são contrários a determinada coisa que lhes seja imposta pelos governos ou por qualquer situação ou circunstância, eles devem manifestar-se e assim robustecer o movimento de reação. A isto se dá o nome de cidadania. Que não pressupõe apenas direitos mas sobretudo participação e engajamento.
A greve dos caminhoneiros - agora temporariamente suspensa - é um exemplo. Se a paralisação dos transportadores de cargas causa transtornos a toda a população, é uma atitude que visa a melhoria de condições de uma classe, da qual todos dependem, mas por extensão atende também a reivindicações da comunidade em geral, sobretudo no que diz respeito ao pedágio.
Porém, se não há hoje um só usuário de rodovias que seja favorável ao modelo de pedágio implantado no Paraná, só se arrojaram numa greve de protesto os caminhoneiros, que ademais lutam também por outras causas, algumas agora atendidas, outras ainda em exame pelo governo.
Mas e os transportadores de passageiros, os agricultores que transportam os produtos da lavoura e os insumos de que necessitam, os que movimentam
matérias-primas e fazem serviços de entrega e atendimentos profissionais, os estudantes que se deslocam para as escolas em outras cidades, os viajantes comerciais e os usuários comuns, por que estes ficam omissos?
Não há necessidade de bloquear estradas, mas concentrações de protesto induziriam os governantes a uma tomada de consciência sobre a arbitrariedade que cometem contra os cidadãos, como esta da imposição abusiva do pedágio. Se uma coisa não serve aos cidadãos ela deve ser desfeita. Nada há que o homem faça que ele mesmo não possa desfazer.
O governador e o secretário dos Transportes talvez ignorem que só numa passagem de ida e retorno pelo pedágio um agricultor tem que pagar o correspondente a um saco e meio de milho, isto se trafegar com um carro pequeno. E com certeza não sabe o chefe do governo quanto custa a um homem da roça cultivar um saco de milho.
Os governantes não são tão poderosos como muitos supõem, mas é certo que são os cidadãos que lhes dão a medida do poder. Se estes manifestam temor, os governantes arbitrários logo o percebem e se robustecem em seu arbítrio, porém se enfrentados recuam e se intimidam. Não é difícil conter os seus desmandos nem apeá-los do poder, como tivemos o exemplo de Londrina e Maringá no caso dos prefeitos, e em passado recente com um presidente da República. Mesmo os presidentes-militares não se aguentaram quando os cidadãos já não os aguentavam.
Consequência de manifestações populares, o governador Jaime Lerner teve que entrar pelas portas do fundo e por elas sair, em sua recente visita a Londrina, sem poder cumprir a agenda prevista.
Não a baderna, mas o poder do povo, legalmente exercido, é capaz de remover entulhos de arbítrio e, se necessário, destronar tiranos.

mockup