EDITORIAL
Não é a implantação de turno único ou a manutenção do anterior, nas repartições públicas do Estado, que causará maiores ou menores transtornos. Porque sem entrar no mérito do experimento que agora o governo do Paraná está fazendo estas são apenas questões de adaptação. Fazer experimentações com o povo é, em verdade, uma prática usual dos governos, que sempre agem segundo convém à comunidade burocrática e não necessariamente ao que é mais conveniente para os cidadãos.
O novo modelo implantado no Paraná irá demonstrar, na prática, se está certo ou errado. Porém o transtorno não reside no horário de expediente, desde que sejam dedicadas ao menos 6h30 diárias para atendimento ao público, e isto está sendo cumprido. Mas está na existência de funcionários demais e no excessso de dependência que os cidadãos têm das coisas do governo.
A incoerência está no governo implantar o turno único para fazer economia, quando a faria em maior escala se demitisse uma boa fatia do funcionalismo, sobretudo na área puramente burocrática, que é mais trapalhona que operante. Aí sim economizaria com a própria diminuição na folha de pagamento e no uso de equipamentos, veículos, material de expediente, energia elétrica, telefone, água, cafezinho e na própria mulher do cafezinho...
Chegou-se a criar no Brasil o Ministério da Desburocratização, justamente para eliminar uma infinidade de exigências que atravancavam a vida nacional, quando tinha a ver com repartições públicas. As medidas tomadas trouxeram um considerável alívio, porém a obra não se completou, e com o correr do tempo a burocracia encarregou-se de ir fazendo novos inventos para dificultar a vida das pessoas, e assim cada vez mais foi necessário contratar gente. A ponto de ter que ir contratando funcionários para gerir a existência cada vez mais numerosa dos próprios funcionários. Afora os casos de se criar uma função para a pessoa que precisava ser ajeitada num emprego, por acomodação política, ao invés de um servidor para atender à função.
O que precisa ser feito nas repartições públicas e em todos os estabelecimentos que lidem com o público é melhorar o atendimento às pessoas, dedicar-lhe mais atenção e respeito, implantar mais guichês nos lugares de recebimentos e pagamentos, fazer um corte radical em exigências absurdas de papéis e assinaturas e carimbos, enfim tornar as coisas mais fáceis. Enquanto isto não começar a acontecer, os governos terão que estar sempre pensando em estratégias de economia, porque o mal não está em horários de expediente e sim no próprio sistema, que é emperrado, cheio de vícios e pouco eficiente, isto levando a grandes gastos e desperdícios.





