EDITORIAL
Qual a garantia de que é vantajoso conceder benefícios a empresas multinacionais, para que se instalem no Estado, se de repente elas anunciam que vão embora? É o que acontece agora com a Chrysler, na Região Metropolitana de Curitiba, que tem 250 empregados e só lhes garante emprego por mais 90 dias. Porque, seguindo novos rumos que a matriz determina, essa montadora norte-americana decidiu fechar fábricas em cinco países e, no caso do Paraná, suspender a fabricação do modelo de automóvel que a mantinha.
Também agora ocorre a demissão de 350 empregados na Volkswagen/Audi paranaense igualmente beneficiária de incentivos oficiais e esse fato aumenta a corrente dos que não vêem com bons olhos as facilidades que se concede a essas megaempresas e acusam o governo de dar muita cobertura a quem não tem nenhum compromisso com o Estado.
Enquanto, neste momento, um alto dirigente mundial da Renault visita o Paraná e anuncia que a montadora parananese está em expansão e que no fim deste ano inaugura mais uma unidade, ainda assim paira a apreensão de que esteja ocorrendo uma crise no pólo automotivo instalado no Paraná.
Empresas que proporcionem trabalho, num país de tantas carências como o Brasil, são sempre bem-vindas, e a bandeira do emprego é a primeira que o governo levanta quando tem de justificar os incentivos que concede a esses poderosos grupos. Mas de há muito se questiona que o micro e o médio investidores nacionais nem sempre contam com todas as facilidades que são disponibilizadas sobretudo para os de fora.
Megaempresas do ramo automotivo têm se instalado no Brasil atraídas justamente pelo regime nacional que regula esse setor e pelos incentivos fiscais dos governo estaduais. Mas a realidade comprova que o investimento de capital, para criar um emprego, é infinitamente menor numa micro ou média empresa e significativamente grande numa megaempresa.
Então, sob esse aspecto, fazem sentido as vozes que se levantam em defesa destes pequenos investidores nacionais ou mesmo estrangeiros quando também se sabe, porque é estatístico, que as mantenedoras de 70% dos empregos no Brasil são essas micro e média empresas.
Sem apego exacerbado a ideais populistas nem aversão a megainvestidores estrangeiros, há que se implantar políticas de mais incentivo aos pequenos empresários já instalados e àqueles propensos a entrar no negócio, incluindo as denominadas empresas de fundo de quintal, porque se programas de financiamento e assessoramento existem, para esses pequenos e médios, eles não são muitos difundidos e intimidam o investidor emergente, já por natureza tímido em recorrer a essas fontes de recursos.





