EDITORIAL
Na administração pública nem todos os servidores realmente servem, porque tem sido tradição no Brasil as repartições governamentais serem acomodação para o empreguismo, o pouco fazer e a má vontade.
Isto vale também para a Secretaria de Administração do governo do Paraná, porque se agora propõe a redução da jornada de trabalho dos servidores, como medida de economia, é porque há funcionários demais, a ponto de a ausência deles, por duas horas diárias, não fazer falta.
Excesso de funcionários públicos são abusos do passado, que vieram se perpetuando e agora tornaram-se evidentes, ante os refletores de uma rigorosa ordem, que é a Lei de Responsabilidade Fiscal imperante a partir do segundo semestre do ano passado e que impõe um freio ao desmando tradicional dos administradores públicos.
A máquina estatal sempre foi inchada de funcionários, e certa vez o ministro Mário Henrique Simonsen declarou que se metade fosse dispensada, isto não só não faria falta como resultaria na melhora da qualidade e rendimento do serviço, porque muitos deixariam de atrapalhar.
É certo que, se tem havido prodigalidade no empregar, às custas do dinheiro do povo, há que reparar esses erros, e o governo estadual tem que agir.
A lei em vigor limita os gastos do governo com o funcionalismo, e quem não se adequar a ela sofrerá sanções, e não apenas os governantes mas, indiretamente, também os cidadãos, porque as infringências poderão resultar em retenção de verbas federais a que o Estado tem direito.
Demissões, que também deverão ocorrer, representam desemprego, o que afeta famílias e constitui um grave problema neste país de economia estagnada, onde é escassa a possibilidade de recorrência a outro emprego. Este é um mal dos males já feitos.
Economia não se faz com redução de salários onde eles já são tão baixos, nem com férias coletivas extemporâneas e outras medidas semelhantes, que resultam inócuas, mas com redução do quadro funcional onde necessário, com racionalização do uso da máquina administrativa, onde é flagrante sobretudo o desperdício, e, óbviamente, com ausência de corrupção, raiz de todos os males das administrações públicas.
Medidas que o governo venha a tomar, para equilibrar as finanças, serão certamente apoiadas pela população, mas deverão ser criteriosas e abranger todos os pontos, para que não ocorra de reduzir jornadas de trabalho como medida de economia mas, em outros setores, continuar a farra com o dinheiro público.





