EDITORIAL
Embora revelações de descalabros e anúncios de medidas saneadoras sempre ocorram quando novos governantes assumem, há que se acreditar que uma ordem de moralidade começa a implantar-se nas administrações municipais, com a posse dos novo prefeitos.
Os recentes escândalos ocorridos no Paraná, com prefeitos afastados, muitos outros sob investigação e processos correndo na Justiça, são exemplos muito fortes a acautelar os novos administradores municipais.
Se não por absoluta honestidade, porque as tentações acompanham o homem e parecem fazer parte de sua cultura, ao menos por temor da lei e da vigilância dos cidadãos os novos prefeitos sabem o que os aguarda se não agirem com responsabilidade.
Melhor seria se a probidade na administração pública não ocorresse por imposição de leis e do policiamento da sociedade, mas por consciência cívica de parte dos que se propõem alcançar o poder e governar os cidadãos.
Agora, muitas esperanças estão depositadas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que acaba de entrar em vigor e disciplina o uso do dinheiro público, impondo limites e severas punições em casos de infringência, como cassação de mandato e até prisão.
Por isso, não faltam aqueles que propõem abrandamentos na LRF, sobretudo prefeitos reeleitos que herdaram suas próprias dívidas e a consequência de seus atos irresponsáveis, ao longo do mandato, e não imaginavam que essa lei chegasse com tanta força.
O que se vê, nestes dias, são os novos prefeitos mostrando volumosas dívidas deixadas pelos antecessores, a maior parte extrapolando a capacidade de endividamento dos municípios, obrigando as administrações que assumem a protelar pagamentos, propor negociações com os credores e demitir servidores - alguns não tão servidores - mas beneficiados por indicações políticas e, portanto, não só improdutivos, mas incômodos.
E em meio a todas essas revelações e medidas saneadoras, ouve-se do povo os clamores de que não basta afastar e prender corruptos, anunciar seus gigantescos desfalques ou estampar seus retratos nos jornais. É preciso exigir que devolvam o que devem.
Esta a tarefa em que está empenhado, sobretudo, o Ministério Público, e os reflexos de sua importância são episódios como o atentado ao prédio da Procuradoria de Investigações Criminais, em Curitiba, e a preocupação das Promotorias em exigir proteção permanente. Porque são grandes os interesses envolvidos, e, pelo entrelaçamento das ações, alguns casos de desmandos nas administrações públicas assumiram característica de crime organizado.





