EDITORIAL
O fato de o cidadão pagar impostos não o impede de realizar trabalho voluntário em benefício de sua cidade, do Estado e do País. Esta é uma prática largamente adotada em muitos países e em muitas cidades brasileiras.
Agora mesmo, na capital paulista, pesquisa do instituto Datafolha demonstra que dois terços dos moradores ou seja, duas em cada três pessoas dispõem-se a trabalhar voluntariamente para ajudar a cidade. O apelo partiu da prefeita Marta Suplicy e a população respondeu positivamente.
Das pessoas ouvidas, a grande maioria admite, total ou parcialmente, que sem a ajuda dos moradores será impossível recuperar a grande cidade, sufocada por uma infinidade de problemas urbanos e sem recursos suficientes para resolvê-los.
Não faltam aqueles que, com justificada razão, são contra, sob o argumento de que já pagam impostos para receber esses serviços, desencantados também pelos negócios fraudulentos, pelos desvios de dinheiro e pelo desperdício que têm ocorrido nas administrações públicas.
Mas o interessante da pesquisa é que mais da metade dos paulistanos admite nunca haver feito nada para cuidar da cidade e outra metade manifesta-se muito disposta a ajudar daqui em diante.
Cidades existem, no Brasil, cujas ruas são assumidas pelos seus moradores para dar-lhe os tratos necessários, como reconstrução e reparos de calçadas, melhoria do visual das próprias casas, remodelação de cercas e muros, jardinagem e conservação de canteiros, etc. Afora a pronta ação dos moradores em solicitar o atendimento público quando isto for de sua exclusiva competência. São os denominados Amigos da Rua ou Amigos do Bairro.
A cidade pertence a todos e não é propriedade do poder público, por isso incumbe também aos cidadãos zelar por ela, não apenas com manifestações de protesto, mas diretamente, colocando mãos à obra. Esta tarefa, além de ir semeando exemplos e estimulando moradores de outras ruas, de outros bairros, de outras cidades e por extensão de outros Estados, irá criando o hábito salutar dos encontros entre as pessoas do mesmo ponto e do mesmo bairro, que no mais dos casos mal se conhecem.
A democracia deve manifestar-se não apenas nos momentos de protesto e de cobranças públicas se preciso varrendo do poder os corruptos mas também nas horas em que não há outra solução senão os mutirões de boa vontade. Sobretudo neste começo de mandato nas administrações municipais, quando se revela a triste situação de prefeituras praticamente quebradas.
Agora com prefeitos novos, convém esquecer frustrações com os que deixaram o poder, muitos dos quais tanto nos decepcionaram, e operar juntos governantes e povo porque se existe uma hora de ambos darem-se as mãos, a hora é esta.





