A melhor notícia da semana que terminou não foi a aprovação da prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal, que, aliás, provocou séria reação dos prefeitos em quase todo o País, mas a divulgação da nova estimativa de safra, confirmando-se um aumento na produção brasileira em torno de 7%, em relação à safra passada. Sem minimizar os efeitos positivos que as decisões políticas e econômicas podem ter sobre a situação, inclusive nesta fase crucial para o projeto de estabilização, é certo que o caminho efetivo para que se concretize o grande salto brasileiro de desenvolvimento é o do campo. É a partir daí, que surgirão as condições para resolver os problemas nacionais, inclusive os sociais, garantindo a base para que o processo tenha continuidade e êxito.
As notícias são muito promissoras, inclusive aquelas relativas ao aumento na produção paranaense do café e às referentes a novos estímulos que se planeja dar à produção do algodão. Importa pouco a discussão sobre de qual governo é o mérito pelo resultado que se antecipa na produção do café. O que vale é o dado em si, não só de uma retomada mais objetiva da cafeicultura no Estado e o efeito que isto tem sobre a economia e a vida da população. Pois o café não produz apenas para exportação ou consumo mas é grande responsável pelo aumento do emprego no campo, sendo - como o comprova a história deste Norte do Paraná - um tremendo multiplicador de riqueza. Já o algodão, igualmente, gera um enorme número de empregos no campo, com todos os efeitos positivos disto decorrentes.
É antiga a insistência sobre o papel fundamental que a agricultura pode exercer na vida do Brasil. E é tão óbvia esta questão que o que mais irrita é perceber como os brasileiros, ao longo dos séculos, e principalmente nas últimas décadas, tentaram fugir desta vocação. Não há país efetivamente desenvolvido no mundo que não tenha uma sólida base de produção agrícola. A política de colonialismo, exercida por alguns países europeus, visava conquistar espaços precisamente para produzir mais. Países de reduzida dimensão, como Inglaterra e França buscavam áreas para produzir e explorar. O Brasil, felizmente, não precisa buscar espaço. Tem uma imensa extensão territorial com a vantagem de um clima que é muito mais propício que o do hemisfério norte. O que se precisa fazer é explorar os recursos de modo objetivo, tirando da terra as riquezas que vão alimentar a sua população, dar trabalho à sua gente e produzir a base para o salto que pode torná-lo uma potência.
A terra retribui, rapidamente, tudo o que se aplica nela. Por isto até é que é enganoso pensar que se gasta com ela. O que se faz é investir, um investimento que rende muito e sempre. Naturalmente, há que observar certas condições para evitar equívocos. Assim, por exemplo, o aumento da produção deve ser feito de modo ordenado, inclusive para não aviltar preços pelo excesso. Mas isto é possível, até porque como o campo oferece trabalho - e a criação de emprego na agricultura é muito mais barata que na indústria -, aumenta o total dos consumidores. De fato, alguns milhões de brasileiros já consomem mais, em função dos bons efeitos do plano de estabilização. Na medida em que há mais empregos, aumenta a necessidade de mais produtos e, assim, o aumento na produção agrícola serve para manter os preços estáveis, sem aviltá-los.
Este continua a ser o rumo concreto para atender aos reclamos plenos da população. É no campo que o Brasil vai encontrar as respostas às necessidades de sua população. E será pela priorização do trabalho, pela disposição em enfrentar o desafio de produzir, que o Brasil encontrará a solução para angustiantes problemas.

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