A par da probidade e da sensatez que se exige dos prefeitos, agora monitorados por uma severa lei de responsabilidade - que por extensão abrange todos os demais poderes - há também que atender-lhes reivindicações, algumas muito justas. A principal delas é a melhor distribuição do bolo tributário, que veio diminuindo de 1992 para cá, para os municípios.
Os prefeitos reclamam a agilização nas discussões sobre a reforma tributária, que caminham lentas por influência das maquinações do governo federal, que quer que as coisas continuem como estão, porque nunca arrecadou tanto.
Números da Confederação Nacional dos Municípios mostram que, a partir de 92, a União aumentou o tamanho de sua fatia tributária de 52% para 62,2%, enquanto os Estados viram sua parte cair de 26% para 23,2% e os municípios de 19,5% para 13,9%.
Agora os prefeitos organizam-se para nova mobilização e anunciam para abril uma caminhada até Brasília - está será a quarta - para apresentar ao governo uma lista de reivindicações.
Afora a agilização na reforma tributária reclamam a rediscussão dos pesados encargos com saúde e educação, que recaem sobre os municípios, afora alguns serviços da área federal que muitas comunidades municipais assumem, como manutenção de fóruns, postos do Correio e outros.
É grande a voracidade do governo federal sobre Estados e municípios, por isso não lhe convém incentivar a reforma tributária nem lhe agrada a presença de prefeitos reivindicando renegociação de dívidas e benefícios relacionados com elas. O governo credor se garante com a retenção de percentuais da arrecadação municipal para amortização dessas dívidas, o que constitui uma sangria para os municípios, um fluxo que agora outra entidade - a Associação Brasileira dos Municípios - reivindica diminuir. Pleito que estará na mesa do próximo Congresso Brasileiro dos Municípios, a realizar-se em Brasília no mês de março.
Óbvio que os prefeitos também querem flexibilizações na Lei de Responsabilidade Fiscal, sobretudo no item que trata do ajuste dos gastos com pessoal nas l.700 comunidades que tiveram diminuídos os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Desde 1999 e até 2003 esses municípios receberão menos, por estarem com população abaixo do estabelecido fim de cálculo do repasse do FPM.
Remonta-se aí, a propósito, à insensatez do modelo brasileiro de ir criando municípios a torto e a direito - com todo o corolário de mazelas daí decorrentes, como o empreguismo e a corrupção - e que o restante da nação acaba tendo que subsidiar. -
O caminho para a conquista dos resultados que os municípios almejam é este, o da mobilização. Ordenada e persistente, porque é o único caminho para romper o imobilismo de Brasília.

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