Um aterro de lixo nunca pode ser modelo, mesmo que tenha inovações que o diferenciem dos demais por alguma forma de melhoria. Este secular sistema é o menos adequado entre todos os processos já empregados para o tratamento de resíduos, sobretudo os orgânicos.
Esta observação se faz porque, ontem, neste jornal, o secretário de Estado do Meio Ambiente usou aquela expressão para referir-se a um gigante aterro que foi inaugurado no litoral paranaense, no ano passado, no qual o governo investiu R$ 1 milhão.
Dentro dos padrões brasileiros - que ainda contemplam esses denominados ‘‘aterros sanitários’’ para depositar o lixo urbano enquanto o mundo desenvolvido já adota avançados processos de tratamento e industrialização - pode ser modelo forrar o solo com uma lona e evitar o contato dos resíduos com a terra, como se fez no litoral.
Se a prática inova e evita a contaminação do lençol freático, será sempre um depósito de lixo a céu aberto, prevendo-se que dentro de alguns anos forme uma montanha, pois na área desse aterro - destinado a servir às praias que vão de Matinhos a Pontal do Sul - são recolhidas 130 toneladas diárias de lixo na temporada de verão.
Algumas cidades brasileiras já processam a usinagem do lixo com máquinas que fazem separação e empacotamento automáticos dos resíduos sólidos e transformam os orgânicos em adubo, mas ainda impera uma inexplicável resistência dos administradores públicos em adotar esses modernos sistemas. Muito pior, a questão do tratamento do lixo nunca constitui meta de governo, como se este não fosse um problema relevante.
Atribui-se a isto muito do desconhecimento sobre o que existe de avançado lá fora no setor de limpeza urbana e tratamento do lixo, poucos sabendo que há, inclusive, uma associação mundial que trata dessa questão, a International Solid Waste Association, representada no Brasil pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais.
Essa entidade brasileira informa que 80% do lixo produzido em nosso País não recebe tratamento adequado, ficando a céu aberto, enquanto já existem no mundo programas combinados de reciclagem que não mais adotam os aterros. Cita o exemplo da região de L’Essone, próxima à área suburbana de Paris, onde 104 pequenos municípios associaram-se num empreendimento comum e, por aquele processo, solucionaram o problema de seus detritos. Informa ainda que países europeus adotam sistemas integrados, ou seja, a empresa que coleta o lixo vai do início ao fim, também fazendo a usinagem.
Estes sim são modelos, e já tardam os administradores das cidades brasileiras em conhecê-los. Cuidar do lixo é, antes de tudo, um procedimento civilizado de preservação do ambiente e da saúde pública.

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