Quando há vontade política, os milagres na administração pública acontecem. Em São Paulo, depois de seis anos de aperturas, o governador Mário Covas conseguiu colocar ordem nas finanças e acabar com o círculo vicioso de deixar a conta para o sucessor.
Informam os jornais que o governador inicia 2001 com uma perspectiva inédita para qualquer administrador público pois, pela primeira vez, um Estado terá investimentos comparáveis aos previstos pela União. São Paulo somará R$ 7 bilhões em obras e serviços, valor que equivale ao que o governo federal deverá investir neste ano.
Segundo destacam especialistas em estratégias governamentais, trata-se do mais bem sucedido programa de saneamento público da história do Brasil, e isto sem aumentar impostos ou deixar de pagar dívidas. O que houve foi redução de alíquotas de 172 produtos, renegociação de contratos, com o pagamento de R$ 280 milhões mensais para amortização de dívidas, privatizações e parcerias em algumas áreas, e informatização da máquina administrativa.
O governador Mário Covas, apesar de seu debilitado estado de saúde, arrojou-se em corajosa empreitada, a de arrecadar mais sem sufocar o contribuinte nem lhe criar novos encargos e assim, com melhor receita, gastar mais e gerar novos recursos. Uma dinâmica que resultou no estado de equilíbrio agora verificado.
Pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que está em vigor, os governantes serão obrigados a gastar na proporção do que arrecadam, mas o governador paulista antecipou-se e pôs um ponto final na situação que coloca o administrador no dilema de fazer obras e deixar dívidas ou pagar as contas e não realizar nada.
Tudo se estriba em princípios que se os governantes não têm, a LRF agora os ensinará a adotá-los, embora este seja o caminho menos desejável, porque é algo que deveria ocorrer pela conscientização e não por imposição de lei.
O exemplo de Mário Covas, que governa o maior e mais complexo Estado da Federação, demonstra que é possível impôr o equilíbrio entre receita e despesa e estabelecer a ordem nas finanças públicas sem onerar os contribuintes nem sacrificar o programa básico de obras. Ele nada mais fez que inteligentes ajustes, porque teve antes de tudo a vontade, e a partir daí as fórmulas foram se descortinando. Verdade que contou com ajuda do governo federal, mas soube valer-se do poder representado por São Paulo e assim impôr-se e conduzir negociações, mas não o teria conseguido não fosse um governante sério e merecedor de confiança.
E, como exemplo de governos que souberam bem gerir a máquina pública, mesmo em meio às adversidades conhecidas, há que destacar também os atuais governos de Sergipe e Maranhão, que em seis anos de mandato colocaram as contas em ordem e sanearam as finanças de seus Estados. Mesmo não contando com benesses da esfera federal, apenas com a força do propósito e diretrizes definidas e bem conduzidas.
A sabedoria e os exemplos ensinam que um bom governo se faz menos com dinheiro e muito mais com vontade política. E, naturalmente, com honestidade, espírito público e convicção de que é possível.

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