As cenas mostradas quinta-feira pela televisão, dos choques entre forças do Exército e servidores públicos de Alagoas, entre os quais membros das Polícias civil e militar, foram assustadoras. Por mais que a situação naquele Estado seja complicada, ainda que seja possível entender a angústia dos servidores, que estão há meses sem receber, o choque, a violência, os tiros, tudo o que ocorreu provoca susto e medo. Pior é que, como nem seria preciso dizer, tal tipo de situação não resolve o problema do Estado, nem do funcionalismo. Pretender que foi em função disto que o governador alagoano se licenciou é até perigoso, na medida em que pode estimular uma forma de agir danosa para todos.
Para agravar a situação, sabe-se que em outros Estados também tem havido sérios problemas e numerosas manifestações, inclusive com greve dos policiais reclamando melhoria salarial. Em Alagoas, o afastamento do governador - que talvez nem volte, ameaçado pela votação do ‘impeachment’ por parte do Legislativo -, a posse do vice e, principalmente, a já anunciada ajuda do governo federal, podem minorar um pouco a crise. Entretanto, a realidade é que este auxílio emergencial não resolverá os complexos problemas daquele Estado, assim como o eventual socorro da União também não será suficiente para acabar com as dificuldades das outras unidades federadas.
O que há é uma crise real a afetar os Estados, efeito ainda das mudanças na própria vida econômica do país que não foram suficientemente absorvidas pelos governos estaduais. De modo quase genérico, a mudança na mentalidade dos governantes, reclamada como tão importante quanto outras alterações para o sucesso do programa de estabilização, não aconteceu. Governadores, assim como muitos prefeitos, continuam a administrar sem a visão que se reclama hoje, não aceitando as imposições naturais desta transição, sem tentar adequar sua atividade à realidade em que vivem. Raros são os governantes que tentam realizar um trabalho equilibrado, respeitando o Orçamento, fundamental a qualquer empreendimento humano, público ou privado.
As cenas vistas em Maceió, a exemplo da recente mobilização em Belo Horizonte, que resultou na morte de um cabo da PM, constituem acontecimentos da maior gravidade, reclamando postura mais responsável por parte de todos, incluindo os governadores. Percebe-se claramente que um dos mais sérios problemas que os Estados enfrentam está na esfera da segurança. Trata-se, é importante frisar, de fator que só o Estado pode oferecer. Se há falhas na saúde, a iniciativa privada pode atuar. O mesmo ocorre com a educação. Mas segurança é algo que só o governo (e especificamente o dos Estados, conforme a Constituição brasileira) pode dar. Quando se vê policiais militares mobilizados em protesto, isto causa susto. Mas quando se sabe o que os governos pagam aos profissionais encarregados de garantir a segurança da população, então a preocupação é maior porque evidencia falta de visão sobre este vital problema da sociedade civilizada.
Segurança talvez não renda tantos votos quanto algumas obras faraônicas. Mas é artigo de fundamental importância e, portanto, assunto que precisa estar em lugar de destaque na prioridade dos governantes. De fato, os policiais não podem fazer baderna ou confusão. A população tem que ver a polícia como garantidora da segurança e não como partícipe da confusão. E isto depende, muito, da vontade política dos governadores.

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