EDITORIAL
Uma nova usina em perspectiva aumentaria substancialmente o valor da Companhia Paranaense de Eletricidade (Copel) no momento da venda da empresa, que o governo estadual já prevê para outubro. Por isso o interesse em agilizar os projetos de sete usinas hidrelétricas ao longo da bacia do Rio Tibagi a primeira delas em São Jerônimo da Serra. Os impasses já começaram. Na última quinta-feira a Justiça Federal suspendeu a primeira audiência pública que se realizaria naquela cidade para discutir a obra.
A população do município está dividida quanto às vantagens e desvantagens da implantação da usina. São muitos os que a querem, incluindo a prefeita de São Jerônimo, pois acreditam que a hidrelétrica e a represa irão trazer desenvolvimento para aquela região, não só pela mão-de-obra que irá empregar, no processo de construção, mas pela valorização dos imóveis e pelo incremento do turismo às margens da barragem.
Mas as entidades de defesa ambiental são contra, pelos prejuízos que o alagamento de tão vasta região irá causar. A inundação será de 65 quilômetros quadrados de áreas agricultáveis e pastoris, sítios ecológicos, arqueológicos e turísticos, incluindo saltos dágua. É imprevisível por onde correrão as águas represadas, eis que a região é de planuras e serras, mas há o temor, manifestado por ambientalistas, de que um dos pontos atingidos será o salto do Apucaraninha, em Tamarana, e os de Sapopema. É certo que a represa terá, em certos pontos, até 560 metros de largura e banhará terras dos municípios de São Jerônimo, Tamarana (aí incluídas as comunidades indígenas de Apucaraninha e Mococa), Ortigueira, Sapopema, Curiúva e Londrina.
O Paraná é superavitário em produção de energia elétrica em face de suas necessidades atuais, por isso a construção de usinas se afigura apenas como estratégia de valorização da Copel, agora prestes a entrar em leilão de privatização. Sob esse aspecto os interesses em jogo são grandes, pouco importando as consequências desastrosas que tais empreendimentos possam causar. O sacrifício de Sete Quedas foi a amostra flagrante dessa insensatez. - Não atentam os estrategistas da empresa e do próprio governo despontando no topo dessa corte o governador Jaime Lerner que, apenas no caso da usina agora projetada, grande área de terra deixará de produzir e para sempre pois a região é agrícola e de pastoreio, mesmo nas baixadas e elevados. Com o agravante de que a barragem sufocará belezas naturais e afastará seus moradores, na maioria pequenos agricultores e sem grande orientação, que acabarão diluindo o ganho das indenizações e acabando nas periferias urbanas, assim engrossando o contingente dos sem-terra, sem-teto e sem-perspectivas. E sabe-se, pelos exemplos vividos, que o governo que desaloja não dá proteção depois.
O que está se fazendo é buscar, pela insensatez, a supervalorização de uma empresa estatal que será posta à venda, mas criando a perspectiva de gigantes problemas paralelos, que os governos futuros e por extensão a sociedade terão que absorver e resolver.
O Paraná é um Estado de produção agropecuária e não de quilowatts. Mas o governador Lerner e o estrategistas da Copel parecem ignorar isto.





