A população vive um momento de lua-de-mel com o Ministério Público, que ultimamente evidencia sua atuação sobretudo contra governantes corruptos. E foi em má hora que o presidente FHC editou a polêmica medida provisória - tendo depois que voltar atrás. A MP estabelecia pena de multa de R$ 151 mil ao promotores e procuradores da República que fizessem denúncias que viriam a resultar infundadas.
Não que o presidente devesse fazê-lo numa suposta boa hora, mas é evidente que FHC, mais uma vez, agiu impulsionado pelo emocional - uma marca acentuada de sua personalidade - ao tomar aquela medida de represália contra a atuação, sobretudo, do Ministério Público Federal. Depois, pelo mesmo emocional, recuou em sua decisão, pressionado pelas reações da opinião pública.
Pelo fato de estar sempre distanciado da realidade brasileira e dos anseios dos cidadãos, o presidente Fernando Henrique edita sem imaginar a reação que isto provocará -o que denota desinformação sobre o espírito da nação que governa e o que acontece além dos limites de seu gabinete - e imediatamente retrocede pela descoberta de que há um povo alerta e que reage. Então demonstra seu ‘‘espírito democrático’’ e volta atrás. Mas com isto sofre baixa em sua credibilidade pública e desgastes que bem poderia antecipadamente evitar, pelo fato de ser presidente da República.
Aconteceu, recentemente, com a tentativa de mudança do nome da Petrobras - projeto com o qual o presidente concordou e logo a seguir teve que abortá-lo - porque mais uma vez não examinou o que aprovara. Depois, ‘‘percebeu’’ que era um absurdo, eis que a reação popular foi imediata e fulminante, não pela mudança do nome em si mas pelo volume de gastos que já haviam sido feitos com essa fantasia do deslumbrado presidente da Petrobras.
No caso da medida provisória, o governo ainda a mantém, tendo apenas eliminado o item que trata da multa. Por isso os promotores e procuradores continuam mobilizados na batalha para que ela seja retirada por inteiro, já que sua existência inibe o trabalho e o poder de diligência do Ministério Público. Sabe o presidente da República que a própria Lei Orgânica do Ministério Público prevê sanções disciplinares sobre promotores e procuradores, em casos de excessos, mas é indiscutível que, se só agora investe contra eles, é porque fizeram acusações contra membros de seus governo.
O presidente Fernando Henrique Cardoso já demonstrou em grande números de vezes que se mortifica muito com críticas - a ele ou a membros de seu governo - e suas reações têm sido as mais contundentes, sempre a contemplar egos feridos e muitas vezes tendo depois que dar explicações sobre o que disse no calor do emocional. Não fosse sua Exa., o presidente da República, tudo seria normal.

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