Não bastassem as revelações cada vez mais surpreendentes que vão surgindo, à medida que avançam as investigações sobre rombos nas Prefeituras, agora o próprio Tribunal de Contas do Paraná é colocado sob questionamento, pela palavra do promotor José Aparecido Cruz, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Maringá.
Em pronunciamento público ele indaga como pôde o Tribunal haver aprovado as contas das últimas três gestões daquele município, justamente quando ocorreu o desvio de grandes somas de dinheiro público, que pelos indicativos pode chegar a R$ 30 milhões.
A indagação ganha peso por haver sido feita não aleatoriamente, mas em presença de outras autoridades e de representantes da sociedade civil, durante ato público que aconteceu na sala do Tribunal do Juri de Maringá, quando o promotor manifestou descrença na fiscalização do Tribunal de Contas e também questionou os vereadores por não haverem exercido a vigilância que lhes cabia enquanto os desmandos iam acontecendo.
Escapa à compreensão dos cidadãos que uma instituição que tem o nome de tribunal, com o encargo de fiscalizar as contas públicas, possa ser objeto de questionamento. Mas o que se ouve de vozes partidas da própria esfera do poder é que o Tribunal de Contas do Paraná tem estreitas ligações com determinadas prefeituras - e naturalmente com o governo do Estado - o que tornaria suas decisões mais políticas do que técnicas.
O que faz agora o Ministério Público é o que deveria ter feito, a seu tempo, o Tribunal de Contas. Tal houvesse acontecido, muitas das irregularidades que agora se aponta teriam aflorado e poderiam ter sido contidas, sem se estenderem até o ponto em que chegaram. Em Maringá foram 12 anos contínuos de atos ilícitos praticados pelo servidor Luís Antonio Paolicchi na esfera da Secretaria da Fazenda - de que foi titular no último mandato - e em todo esse tempo o Tribunal de Contas nada viu.
Então, o que deveria ser um colegiado de notáveis - e nada menos que isto se exige de uma côrte que tem o pomposo nome de tribunal e a nobre incumbência de preservar valores como a impecabilidade nas contas públicas - se afigura como um santuário de eleitos, que ali se alojam para repouso e glorioso desfrute. Se escapou-lhe a competência para detectar irregularidades que viriam a se revelar tão flagrantes, como as que vinham acontecendo na Prefeitura de Maringá - apenas para citar o presente caso denunciado - então esse organismo fiscalizador dos negócios públicos não é um Tribunal de Contas, mas de faz-de-conta.

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