Ano novo, século novo, administração municipal nova, e me parece que tudo teve um bom começo. Passei a virada disso tudo refletindo sobre nossa cidade, o que ela já passou, vem passando e principalmente sobre o que a aguarda para os dias vindouros.
Meu pai costumava dizer que as coisas que começam bem possuem maior possibilidade de terminarem bem e a julgar pelas primeiras medidas do novo prefeito de Londrina, Nedson Micheletti, e seu fiel secretário da Fazenda, a tendência é de que teremos um governo histórico em Londrina. As coisas, como todos já sabem não vinham se comportando como desejado. Notícias dão conta de que o desmando e o descontrole foram gerais na administração anterior, como já havíamos observado nas oportunidades em que o grupo que saiu esteve à frente da terceira maior cidade do Sul do País.
O trabalho que se segue será de recuperação e como tal, pouco se deve esperar em relação a obras, exceção daquelas que são de extrema necessidade para a manutenção daquilo que já existe e que não pode de forma alguma ser degradado por sua falta.
O bom começo se deu através das primeiras medidas do novo prefeito, que inclusive determinaram o fim dos telefones celulares dos secretários de governo e outros funcionários. Aliás, nunca entendi porque essas pessoas gozavam desse privilégio, visto que já recebem salários suficientes para permitir o pagamento de suas contas individuais. A medida será benéfica também no sentido de que fará com que o uso do aparelho seja mais coerente e racional, pois o ser humano tem o péssimo habito de abusar daquilo que não lhe dói ao bolso.
Todo começo implica o final de alguma outra coisa. Além de termos de seguir em frente com novos processos ou metas, uma nova época nos obriga a romper com hábitos antigos, com os quais estamos acostumados. Ao mesmo tempo em que passamos a ter como expectativa a companhia constante da incerteza, percebemos a necessidade de romper com padrões de comportamento e rotinas arraigados. Esse momento, como um longo e coletivo adeus, demanda muito de nós.
Não podemos esquecer, no entanto, que da mesma maneira que está surgindo uma nova era a partir do novo governo, as bases do período que viveremos a seguir foram criadas pelos políticos que os antecederam. É preciso que se avalie cautelosamente a experiência de sucesso nas reconstruções econômicas do município nas duas oportunidades em que a cidade se viu destruída pelo ímprobo, agora cassado, e que nos sirva de exemplo otimista de que já resistimos no passado as desordens econômicas e sociais por ele provocadas.
A primeira reunião do novo secretariado com seu líder, às 7h30 do primeiro dia de governo serviu para fortalecer e comprometer todos com uma filosofia e propósitos essenciais, indicando a todos um sólido quadro de referências. Dentro desse contexto, a falta de diversidades de idéias evitará os conflitos tão comuns ao início de qualquer processo de transformação, onde segundo Machiavel, encontram-se fortes resistências dentre os que deixam de ser beneficiados pela nova ordem das coisas.
A nossa cidade é um dos mais apaixonantes e variados fundos temáticos da cultura paranaense. Aliás, é hipoteticamente a sua mais possível síntese, o espaço físico e mental onde está representado o tempo na sua globalidade e onde a capacidade imagética da memória nos permite ver ou projetar quase tudo, e esse bom começo do governo Nedson e de seu secretário de Fazenda nos permite acreditar de que essa será a marca de sua passagem nessa nova era que se inicia.
- RICARDO PROCHET é administrador de empresas, professor universitário, consultor e conselheiro de empresas em Londrina
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