O novo Código Nacional do Trânsito trouxe muitos benefícios, pois fez os cidadãos respeitarem um pouco mais as normas que regem o uso do veículo, mas também permitiu certa arbitrariedade dos guardas encarregados do setor, nas cidades e estradas.
Há muito se percebia que estava ocorrendo mais do que orientar os cidadãos e reordenar o tráfego, mas passou a prevalecer uma vontade de multar, e agora em Londrina a própria Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), através de seu novo presidente, admite que há aqui a chamada "indústria da multa".
É grande o número dos que reclamam não haverem cometido determinadas infrações e no entanto foram multados. Se é certo que culpados, muitas vezes, passam ilesos da viligilância dos guardas, há casos de inocentes que pagam pelo que não fizeram.
Agora mesmo está andamento uma campanha de conscientização dos motoristas, com dísticos afixados nos próprios carros e faixas colocadas em pontos estratégicos, ao tempo em que também os guardas dão orientação pessoal e as escolas começam a educar as crianças e adolescentes, futuros motoristas. Mas esse movimento deve servir de conscientização também para os comandantes dessa área e para os guardiães do trânsito.
Guarda não deve ser apenas um punidor, a quem se deva temer, mas um orientador e um agente solidário, a quem se deva respeitar. Essa é, porém, apenas uma expectativa, porque o motorista, mesmo que esteja se comportando corretamente, teme o guarda, quando deveria sentir-se seguro com ele.
Não contam, nas campanhas de conscientização, as infrações do poder policiador, a começar pelos semáforos, que na maioria das cidades estão fora de sincronia, alguns desligados, outros são demais em algumas áreas ou faltam em outras. A sinalização tem muitas falhas ou é inexistente, e quem mais sofre são os motoristas de outras cidades, sujeitos a envolver-se em acidentes, por isto.
Não há que se fugir das normas, mas muitos se queixam da rigidez e da injustiça dos agentes de trânsito que, ao invés de postar-se em pontos de conflito e orientar, preferem deixar que o motorista incorra na infração para depois multá-lo.
Pelo menos em Londrina - agora motivo de denúncia feita inclusive através deste jornal e que gerou o pronunciamento da nova administração da CMTU - é raro ver um guarda no meio da rua orientando e liberando o fluxo de veículos, em momento de pico, mas é comum vê-lo na esquina, aparentemente despreocupado com o andar dos carros mas vigilante no momento de sacar bloco e caneta, e registrar uma infração.
E se o contigente é pequeno, como se queixam os comandantes, estranha que numa mesma esquina os guardas estejam sempre aos pares, quando eles poderiam ser divididos e assim aumentar a área de cobertura. Não, naturalmente, com o propósito de só multar, mas acima de tudo de orientar, disciplinar o trânsito e permitir o rápido fluxo de veículos.
Sabe-se que, nos países mais adiantados, e mesmo em algumas cidades brasileiras, os guardas desligam os semáforos em certos pontos e certas horas de intenso movimento, e passam eles a comandar o fluxo dos veículos, privilegiando as mãos de maior fluência. Há casos em que, por certo tempo, eles até mudam o sentido de alguns trechos, para permitir a mais rápida evacuação. Nos horários de maior tráfego é quando os guardas deveriam estar mais a postos, pois é nesses momentos que eles são extremamente necessários.
Agora que novas administrações municipais assumem, as companhias municipais de trânsito e as autoridades do setor devem dar atenção especial a essa questão do tráfego, sobretudo o urbano, que envolve todos os cidadãos, desde os que têm veículo próprio aos que usam o transporte coletivo.
É urgente readequar sentidos de ruas, implantar semáforos inteligentes, reestudar a questão do estacionamento. Isto se faz sem grandes recursos financeiros, mas com uma boa diretriz e sobretudo com vontade. Ao lado da boa conduta do motorista deve estar presente a boa infra-estrutura, e esta é tarefa do poder público.

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