Um problema dos prefeitos que agora assumem é sanear as finanças públicas, mas um desafio permanente, para o qual poucos municípios encontraram solução, é como sanear o ambiente através de uma inteligente destinação do lixo urbano. O sistema adotado é o sistema nenhum, que é o denominado aterro sanitário mas que de sanitário nada têm, e o depósito a céu aberto, que exala forte mau cheiro, contamina a água e propaga doenças.
Sabe-se que o lixo orgânico pode ser transformado em energia elétrica - prática há muitos anos adotada na Alemanha - e agora o Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dá incentivo à idéia através de pesquisa que divulga, ressaltando as vantagens dessa técnica.
Diz o estudo que todo o lixo orgânico produzido hoje no Brasil, de cerca de 20 milhões anuais de toneladas, é suficiente para aumentar em 15% a atual oferta de energia elétrica, representando metade da força gerada pela hidrelétrica de Itaipu. Informa que o agente é a celulignina, combustível que se origina de um processo químico a que é submetido o resíduo orgânico, sem dano ambiental, e que substituiria o gás natural, o carvão e o diesel nas usinas termelétricas.
A pesquisa assegura que a celulignina é economicamente viável, pois extrai-se 70% dela do lixo orgânico e 10% de furfural (insumo usado na petroquímica), restando 20% de lodo, que pode ser utilizado como adubo. Há há outras fórmulas de extração de energia do lixo, como a incineração, não recomendada por causa da emissão de gases tóxicos, e a extração do gás metano, mas isto exige grandes espaços para os aterros.
Muito se fala sobre a necessidade de reduzir-se os impactos ambientais causados pelas diversas formas de produção de energia. Dos irreparáveis danos causados pela queima de carvão e de combustíveis fósseis. Dos riscos das usinas nucleares. Dos problemas provocados pelas usinas hidrelétricas que, mesmo consideradas limpas do ponto de vista da contaminação atmosférica, inundam regiões agricultáveis, afastam os ocupantes das áreas, destróem sítios ecológicos e arqueológicos, quando não geram crimes hediondos contra a natureza como o que, no Paraná, sepultou Sete Quedas e inseriu nossos governantes no livro de recordes da insensatez humana.
Enquanto os cientistas e pesquisadores acenam com fórmulas alternativas de energia como a que pode ser extraída do lixo - ademais ecológica e economicamente sustentáveis e solucionando um problema grave das cidades - assiste-se no Paraná a idéia de implantar sete usinas hidrelétricas ao longo do rio Tibagi, quando o Estado é superavitário na produção de energia elétrica para as suas necessidades.
A população deve questionar as alternativas escolhidas, enquanto houver tempo, porque os governantes serão capazes de mais esse desastrado cometimento. Depois que se destruiu uma dádiva da natureza como Sete Quedas, tudo de pior se pode esperar.

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