Os prefeitos que agora assumem nos 5.559 municípios brasileiros – 339 dos quais no Paraná – iniciam os mandatos enfrentando dificuldades, sobretudo muitas dívidas e sobrecarga de funcionários. Os que se reelegeram não terão a mesma surpresa dos que assumem pela primeira vez, porque herdam o que eles próprios deixaram, mas é certo que uma nova ordem se instala para todos eles, porque a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) já em vigor os obriga a disciplinar o emprego do dinheiro público.
Isto representa a adoção de medidas extremas, como corte e remanejamento de pessoal, eliminação ou fusão de secretarias, uma geral contenção de gastos e programas inteligentes de execução de obras, para que se obedeça à LRF, pague-se as dívidas (ou se negocie fórmulas de pagá-las) e ao mesmo tempo se atenda aos munícipes, eles que receberam tantas promessas de campanha.
Alguns prefeitos, no Paraná, já afirmaram que darão prioridade às obras sociais, parecendo cautelosos ao não anunciar grandes empreendimentos, porque agora não é mais o palanque, que tudo permite, mas a dura realidade que está à frente da cadeira do gabinete.
Uma maestria que se exigirá dos prefeitos será como receber o IPTU atrasado – uma das grandes fontes próprias de receita dos municípios – porque os casos não são apenas de negligência mas de impossibilidade de muitos devedores. Não adiantará apenas encaminhar processos à execução judicial, mas será preciso ir ao encontro dos que têm débitos mais elevados e negociar com eles as formas de pagamento.
Prefeitos novos terão que aprender como trazer para seus municípios as verbas estaduais e federais que lhes cabem, e para isto terão que acionar os deputados que representam suas regiões. Eles serão obrigados a trilhar os caminhos que levam às secretarias de Estado, aos palácios de Governo, às Assembléias Legislativas, aos ministérios e mesmo à Presidência da República, organizando-se em caravanas quando as reivindicações forem comuns.
Sozinhos, fazendo atendimentos de varejo em seus gabinetes, como é comum sobretudo nos pequenos municípios, é a menos recomendável das práticas, e o prefeito que quiser ganhar prestígio e autoridade terá que sair a campo, e cercado de bons auxiliares e das lideranças da comunidade.
Mas a condição principal que se impõe é buscar o desenvolvimento do próprio município, ativando todos os seus potenciais, para que a dinâmica da economia promova a própria população e gere para os cofres públicos os recursos de que necessita, e estes de sua vez revertam para o meio social em forma de obras e serviços.
Primar pela honestidade, pela responsabilidade e pela transparência de todos os atos, com muita franqueza perante a comunidade, já será meio caminho andado para o sucesso de uma administração pública.
Se não possam realizar ou iniciar grandes obras, ao menos neste primeiro ano de mandato, que os novos prefeitos se empenhem nos serviços de alcance social, sem perda de tempo. Uma boa administração se faz com dinheiro mas sobretudo com vontade política.

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