Todo final de ano há uma expectativa muito grande por parte de todos de que o ano que vai se iniciar seja melhor do que o ano que se finda. É a esperança que alimenta essa expectativa e mantém viva nas pessoas a confiança em um futuro melhor. Sem esperança, esta vida seria cruel demais e um fardo muito pesado para todos. Essa crença de que o futuro será sempre melhor é inata ao ser humano. As crianças, sem que ninguém lhes incuta a idéia, sonham e fazem seus planos com a certeza de que tudo acontecerá como idealizam.
Em nosso sofrido Brasil, as pessoas não têm mais essa crença. A sucessão de incompetência por parte dos governos, ao longo dos últimos anos, tem levado nosso povo ao total descrédito de que algo possa melhorar em um futuro próximo.
As promessas, sejam elas eleitoreiras ou não, nunca são cumpridas. Os problemas da saúde, da educação, da agricultura e a falta de segurança continuam afetando a vida de todos, principalmente das camadas mais pobres da população, que não têm a quem recorrer e, por último, mas não menos importante, a elevada carga tributária e o peso excessivo dos encargos sociais que acarretam o desemprego em massa da nossa população, jogando a auto-estima do povo brasileiro aos níveis mais baixos de nossa história. A tudo isso juntam-se outras mazelas como a má conservação das estradas e o alto preço cobrado pelo pedágio que, somados a outros despropósitos, estão exaurindo as empresas pelo famigerado Custo Brasil.
Enfim, os problemas são os mesmos de 20, 30 ou 50 anos atrás e sem perspectiva de que venham a ter solução a curto prazo. Enquanto nosso País remancha no mesmo lugar, as nações do chamado Primeiro Mundo deram um salto de progresso, aumentando seus conhecimentos e suas riquezas e, em consequência, a distância existente entre elas e os países do chamado Terceiro Mundo.
A previsão mais pessimista para esses países será a de que, nos próximos 20 anos, o conhecimento alcançará níveis que permitirão a seus habitantes chegarem a médias de idade de 90 a 95 anos e, a otimista, de que talvez superem os 100 anos, abolindo o desconforto das doenças. Uma das grandes diferenças entre esses países e o nosso é a seriedade com que esses governos tratam dos interesses da comunidade.
Dentre muitas outras coisas que distinguem esses países do nosso, vale destacar as relações de trabalho. É enorme, hoje, a quantidade de pessoas que fazem seus próprios horário de trabalho. Outra parcela significativa executa seu trabalho em casa. O conforto de que desfrutam em suas residências é desconhecida pela maioria do povo brasileiro, pois nem mesmo os ricos do Brasil podem usufruí-lo porque não se trata apenas de uma questão de dinheiro.
E para nós, brasileiros, o que podemos esperar? Nossas riquezas são enormes, nosso povo trabalhador e ordeiro. No momento em que algum governo investir realmente em educação e der as condições necessárias ao desenvolvimento econômico, a resposta será rápida e segura e o cancro social tão surrado e usado como desculpa para todas as nossas moléstias terá seus dias contados.
Nosso novo milênio começará, na realidade, em 2002, quando pela graça do regime democrático em que vivemos teremos a oportunidade de escolher novas lideranças políticas e dentre elas, talvez, alguém que tenha a capacidade de nos conduzir para a redução das distâncias que nos separam de um mundo melhor.
- JOSÉ EDUARDO ANDRADE VIEIRA é diretor-superintendente da Folha

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