Quando um diplomata brasileiro em Paris disse que o Brasil não era um país sério, referia-se a atitudes de irresponsabilidade que eram tomadas na área do poder, e que prejudicavam as relações internacionais. A frase foi atribuída equivocadamente ao então presidente francês e disseminou-se. Esse desabafo apenas confirmava uma realidade, ainda hoje arraigada na cultura brasileira.
O ato brincalhão do presidente da Petrobras ao maquinar a idéia de mudar o nome da empresa para PetroBrax, ao custo inicial de mais de R$ 2 milhões (já gastos, com a criação da logomarca e a veiculação de anúncios) e uma previsão de US$ 50 milhões para promoção da nova marca, insere-se nesse contexto e mostra bem um certo modelo de homens públicos que dirigem grandes empresas estatais, neste País, e que nem se imaginava fossem capazes dessas coisas – não a mudança de nome, mas o esbanjamento de dinheiro para algo tão simples.
Em boa hora o presidente Fernando Henrique disse não, e com esta palavra de três letras eliminou o ‘‘x’’ da questão. Para alívio dos brasileiros, que chegaram a temer que o chefe do governo fizesse vistas grossas a essa extravagante fantasia. Prevaleceu a autoridade presidencial, e é em momentos como este que ela deve estar presente, altiva e soberana.
Não é, repita-se, a mudança de nome que causa perplexidade, porque tantos nomes e logomarcas já foram mudados, mas a forma como, por ‘‘dá cá essa palha’’, joga-se fora tanto dinheiro, no Brasil, naturalmente quando é dinheiro do povo.
Veja-se como é vesga a perspectiva ao imaginar que um simples ‘‘x’’ associaria à empresa a idéia de modernidade. Por incrível que pareça, foi este o argumento para a mudança. Certamente que uma empresa não se faz com marca, mas com competência.
A esta altura, quando já se gastou mais de R$ 2 milhões com a criação da nova marca e com publicidade nos veículos de comunicação, não faz diferença adotar a denominação de PetroBrax, se isto é tão importante, como sugerem seus idealizadores. O que não se pode é gastar US$ 50 milhões para a difusão internacional do novo nome.
Com este dinheiro se poderia dar início a mudanças mais importantes de nomes, como de analfabetismo para educação, de assentamento para moradias decentes, de miséria para prosperidade...
O informe oficial é que o presidente da República, ao tomar a decisão de suspender essa dispendiosa campanha, sensibilizou-se com a reação da opinião pública. Importante que o chefe do governo seja sensível às vozes que ecoam das multidões, porque estas não cometem equívocos.

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