EDITORIAL
O episódio do incêndio criminoso na Procuradoria de Investigações Criminais (PIC), ocorrido ontem, em Curitiba, mostra uma preocupante faceta da sensação de desordem pública que se instalou no Paraná desde que irromperam escândalos como os da Banestado Leasing e dos títulos fraudulentos que tomaram como refém o controle acionário da Copel, descontroles como o das contas públicas, elevando o déficit do Estado a somas estratosféricas, investigações e ações na Justiça contra o governo pela imposição do pedágio, protestos de entidades pedindo transparência nos negócios públicos e do funcionalismo exigindo pagamento de salário atrasado, e por aí afora.
A queima de arquivos na Procuradoria, perpetrada por dois indivíduos encapuzados, destruiu provas importantes da CPI do Narcotráfico, que envolve destacadas figuras da esfera oficial, no Paraná, e não deixa dúvidas de que tal ocorreu a mando de quem não quer a continuidade desse processo.
O episódio demonstra que esses documentos de prova não estavam bem guardados e que não havia a suficiente vigilância no local, possibilitando que, numa simples ação, duas pessoas destruíssem grande parte do trabalho de muitos meses de investigação.
Entristece fazer a comparação, mas o acontecimento de ontem, que envolve diretamente investigações sobre o crime organizado, rememora atentados semelhantes ocorridos na Colômbia, por idênticas razões. Se quadrilhas muito bem estruturadas já operavam dentro do Estado, no comércio de drogas, agora vivemos um momento em que se manifesta a presença igualmente perigosa de grupos de resistência, destinados ao enfrentamento direto com as autoridades, a qualquer custo.
Um grupo encapuzado ateando fogo ao edifício de um organismo público de investigação não é uma mera cena cinematográfica, mas uma realidade que vai além da ficção e acontece aqui mesmo, no Paraná, e não num posto policial dos recônditos da fronteira, mas em plena Procuradoria de Investigações Criminais na capital do Estado.
Instalou-se um estado de confronto e esta verdade está evidenciada no episódio que acaba de acontecer.
Todos esses fatos geram uma sensação de insegurança, de impotência e desamparo, e a isto se sucede a indignação geral. Paira entre os cidadãos o sentimento de ausência de autoridade e uma sensação de anarquia.





