Não surpreende medida como esta do governo estadual de dar férias coletivas de 10 dias a 75% do funcionalismo, como fórmula de economia, não de salários, mas de gastos com água, luz, telefone, combustível, viagens administrativas. Porque isto que ocorre é apenas consequência da sobrecarga dos cofres públicos com pessoal, resultado de admissões que vieram ocorrendo ao longo dos anos para atender a acomodamentos políticos e beneficiar apaniguados.
O que agora ocorre é o ponto de exaustão, porque a máquina administrativa não haveria de aguentar tanto gasto e tanto desperdício de dinheiro, nesta verdadeira farra à custa dos recursos públicos, para não falar dos desmandos e da corrupção que contaminam todas as esferas do poder.
Chegamos neste final de milênio à triste constatação de que a moral pública faliu, e por extensão levou a empresa governamental à falência econômica. Prefeituras e estados endividados, somas astronômicas desviadas, isto levando os cidadãos a retrair-se no pagamento dos impostos, administradores públicos denunciados nos tribunais. Esta é a melancólica situação.
Medidas de economia deveriam ser prática normal na administração pública e não só ocorrer em certos momentos, porque serão sempre um paliativo, que cobre temporariamente um efeito mas não elimina a causa, que é o desequilíbrio entre receita e despesa. Essa realidade sempre aflora nos finais de exercício, tornando-se crônica quando se concluem mandatos, pois aí as monstruosas dívidas ficam transparentes.
O que se vê nesta época do ano são servidores reclamando do 13º salário atrasado, quando não do atraso dos vencimentos regulares, fato mais comum nas prefeituras, tanto dos grandes como dos pequenos municípios, a demonstrar que a qualidade dos administradores públicos é idêntica. Todos os anos o fato se repete, porque não há nenhuma previsão e nenhum programa sólido de gestão pública, eis que tudo corre solto – com desmandos, mau uso do dinheiro, corrupção – até que a situação chegue ao ponto de descontrole.
Somas fabulosas esvaem-se pelo ralo, robustecendo a história dos escândalos e engordando o noticiário dos jornais, para desencanto e descrença dos cidadãos, que afinal são os que pagam a conta. Dinheiro nunca faltou para suprir as caixinhas – e testemunho disto são os casos que vão pipocando em todo canto. Chega então o momento em que a realidade se revela e os recursos faltam. Ocorrem aí as economias de tostão, como o malabarismo das férias coletivas para não gastar água e luz e outras despesas, quando durante todo o ano não se fez caso disso.

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