Editorial
A aprovação da prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), mesmo com a devolução de parte dos recursos para os municípios, conforme emenda da relatora Yeda Crusius, dá ao Executivo o fôlego que reclamava. Desta vez, ao contrário do que ocorreu quando o Fundo Social de Emergência se converteu em FEF, o prazo pleiteado não foi modificado, o que também é importante para propiciar mais tempo ao Executivo na execução do plano de estabilização da economia.
Ao contrário do que ocorre em relação às reformas institucionais, a aprovação desta matéria, em primeiro turno, dá segurança muito grande ao governo no sentido de que a prorrogação terá tramitação mais simples e sem tropeços. Em relação às reformas constitucionais, cada passo tem de ser acompanhado com muita cautela porque existe muita pressão de setores importantes contra algumas mudanças. E a cada nova votação, na Câmara como no Senado, os interessados vão se mobilizar, tentando derrubar o que não lhes interessa. No caso do FEF, os maiores adversários da prorrogação foram os prefeitos, que vêm se mobilizando há tempos tentando obstar a manutenção do Fundo. Entretanto, como houve algumas concessões, tanto no FEF como em outros setores, e também porque os prefeitos precisam dar maior atenção ao seu trabalho, a pressão nas próximas votações deve diminuir.
Assim, é possível considerar que o FEF persistirá até 1999. Não é muito tempo, mas presume-se que seja o suficiente para que as tão necessárias reformas estruturais sejam devidamente aprovadas e promulgadas. Em realidade, tem que ser prazo capaz de permitir que se concluam as mudanças há tanto tempo anunciadas no setor público e que sejam capazes de garantir o que os brasileiros anseiam - a manutenção da estabilidade econômica ao lado de condições adequadas para a retomada do processo de crescimento, com mais empregos, melhores condições de vida e resgate da dignidade dos milhões que ainda sobrevivem além da miséria.
Importa que este novo prazo seja melhor utilizado que os precedentes. Quando lançou o programa econômico, o governo Itamar Franco criou o Fundo Social de Emergência com o prazo que considerava suficiente para a execução das reformas necessárias ao plano. As dificuldades que surgiram, porém, se mostraram maiores do que o esperado. Embora o novo presidente tenha sido eleito com maioria absoluta no primeiro turno, atestando apoio popular ao plano, e apesar de o sr. Fernando Henrique Cardoso ter obtido maioria no Congresso, o que se viu foi uma dura luta em que os defensores do statu quo, da situação de privilégios e abusos existente, se mostraram fortes o suficiente para obstar as reformas a cada passo.
Vieram os adiamentos e as indefinições. Terminou o prazo do FSE sem que se chegasse sequer a definir as reformas. O Executivo foi forçado a pedir prorrogação, desta vez reclamando prazo maior. A luta na época foi complicada e, no fim, não só foi mudado o nome do Fundo, mas também não se cedeu o prazo pretendido. O Congresso concordou com 18 meses, apenas, de vigência do FEF. Na época, poderia parecer até um compromisso para, no período, encerrar as reformas. Mas não foi isto o que aconteceu. E agora, uma vez mais, ao invés da batalha pelas reformas, o Executivo teve de dividir forças para conseguir prorrogar o Fundo. Ganhou esta parada, mas ainda não pode se considerar vitorioso. Faltam as reformas em si, que não podem mais ser adiadas de modo tão irresponsável como vem acontecendo até agora.





