Apesar da pouca ajuda dos governos, no Brasil, quando não dos seus atrapalhos, a grande cadeia produtiva não esmorece, faz malabarismos para adaptar-se às situações, inventa e reinventa, e os cientistas vão descobrindo fórmulas de melhorar as condições da vida ambiental e dos cidadãos. E em meio a um universo de notícias ruins, há também as boas, como esta do experimento que ora se faz em Curitiba com o denominado combustível ecológico.
Trata-se de uma mistura de óleo diesel, álcool anidro e aditivo à base de soja, que reduz a fumaça negra dos escapamentos. O Paraná é o primeiro Estado a adotá-lo, e o propósito da Companhia de Urbanização de Curitiba é que até meados do próximo ano esse combustível alternativo largamente utilizado pela frota de ônibus da Capital.
Afora o informe de que esse composto diminui a fumaça - cujo índice de redução o autor do invento, o cientista Alfredo Rafael Campi, anuncia que é de 43% - não se sabe até que ponto elimina gases poluentes, porque não se conhece ainda análises oficiais que o atestem. Também há os que afirmem que a adoção do novo combustível - produzido pela Ecomat-Ecológica Mato Grosso, de Cuiabá - não é economicamente viável.
De qualquer modo, se o experimento der certo e vier a ser adotado em escala, reduzirá a importação de petróleo e beneficiará os produtores de cana e soja, com o aumento da demanda, e por extensão da área de cultivo.
O mundo inteiro estuda alternativas que reduzam o uso do óleo diesel, hoje um dos maiores responsáveis pela poluição urbana, e o Ministério de Ciência e Tecnologia está interessado no experimento que se realiza em Curitiba, tendo já anunciado que, em caso de resultado positivo, irá propor aos estados que aprovem leis reduzindo a alíquota do ICMS para o produto.
Esse combustível aditivado será 5% mais caro que o diesel puro, mas a Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná adianta que os produtores irão assumir esse ônus, para que o aumento não seja repassado aos usuários.
Grandes programas como o do álcool combustível não tiveram a continuidade que se imaginava, depois da euforia dos primeiros anos, mas é irreversível que a tecnologia e o bom senso triunfem sobre interesses escusos, nessas questões que tratam do ambiente e da melhoria de vida e saúde das pessoas. As ações devem estar associadas a programas inteligentes de ocupação do solo, para que - no caso do álcool - plantações de cana não venham ocupar áreas de produção de alimentos.
É certo que a comunidade científica e os ambientalistas estão atentos, e uma nova consciência ecológica vai se cristalizando. A sensatez vai vencendo as resistências, de maneira lenta mas progressiva. Estes são caminhos para se chegar à plena excelência de vida neste planeta, e mais cedo ou mais tarde essa meta será atingida, porque a corrida nessa direção é irreversível.

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