Os paranaenses enfrentam agora uma nova e espinhosa tarefa, a de resgatar a moral do Estado, ante os escândalos na esfera pública e os negócios mal conduzidos pelo governo, que são notícia diária nos veículos de comunicação e estão gerando insegurança e grande insatisfação popular.
Entre as vozes mais expressivas que manifestam preocupação está a do ex-governador Jayme Canet, que declara haver menos importância nos números - caso da caução com ações da Copel - e muito mais no processo de moralização do Estado.
O governo de Canet ficou marcado como um período de severidade administrativa e de grandes realizações, com destaque para 4.000 quilômetros de estradas pavimentadas - e atente-se que sem cobrança de pedágio - e isto confere autoridade à sua preocupação pelo resgate da moral do Estado.
As conclusões da CPI do Narcotráfico, envolvendo proeminentes figuras da área da segurança estadual, o afastamento dos prefeitos de Londrina e Maringá, por denúncias de corrupção, o indiciamento de destacados funcionários da administração dessas cidades e de parlamentares, com novas denúncias e novos nomes surgindo, os contratos (tidos como inconstitucionais) do pedágio, gerando tanta indignação popular, e a eclosão agora do episódio que ameaça a Copel, são fatos que abalam a estrutura governamental e tiram-lhe confiabilidade, gerando a insegurança dos cidadãos.
O caso da Copel - para citar apenas este - cujas ações caucionadas o governo pode perder, e assim perder o controle acionário da empresa, não é ‘‘um factóide’’, como afirmou o secretário de Comunicação do Governo, mas uma possibilidade real. Que se não o fosse, não estaria agora centralizando as atenções de entidades como a Associação Comercial do Paraná, de ex-governadores como Jayme Canet e Emílio Gomes, e da sociedade em geral.
O restabelecimento da moralidade e da prudência nos negócios públicos é uma bandeira que agora se levanta - e não há como restaurar o equilíbrio das finanças sem lisura administrativa - mas é preciso atentar, a esta altura, também para os números assustadores da dívida do governo estadual, que saltaram de cerca de R$ 2 bilhões em 1995 para R$ 13,4 bilhões hoje.
Cobrar transparência dos negócios públicos é dever do Estado-cidadão, este que, felizmente, se salva, porque não é a moral dos paranaenses que está abalada mas a dos homens que os governam.
E o governador Jaime Lerner - agora retornando de mais uma viagem ao exterior - que assuma os pronunciamentos quando, em horas graves, algo tenha que ser dito ao povo, para que não o façam os subalternos.

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