EDITORIAL
Os cidadãos sentem-se mais seguros quando associações de classes representativas da sociedade civil passam a se interessar pela lisura dos negócios públicos e a cobrar clareza dos governos, em seus atos, como acontece agora com a Associação Comercial do Paraná (ACP), que lança a campanha Transparência Paraná.
A entidade quer que o Estado não omita informações sobre as suas contas, seus contratos, suas decisões, e que a verdade não fique obscurecida por contra-informações e dissimulações oficiais.
A eclosão desse movimento ocorreu pelo alerta da imprensa e dos políticos da oposição sobre o risco de o governo estadual perder o controle acionário da Copel, pela vinculação de ações da empresa em garantia de títulos adquiridos pela Corretora Banestado e que o governo teve que honrar - porque não foram resgatados pelos emitentes - para que se operasse a venda do Banco do Estado do Paraná.
A preocupação da ACP faz sentido, pelo volume dessa caução (R$ 350 milhões) e o risco que corre o Estado de ver a Copel cair em poder de terceiros - no caso o Banco Itaú - não por um processo de privatização normal, mas por simples quitação de uma dívida.
A omissão de informações é uma queixa procedente, e agora mesmo deputados das bancadas aliada e oposicionista foram à Secretaria da Fazenda em busca de melhores informações sobre o caso, e não obtiveram nada de esclarecedor e nem sequer uma cópia dos termos da caução, que solicitaram.
Sabe-se que a dificuldade dos deputados em obter informações nessa secretaria - afinal a mais importante, porque manipula e administra toda a verba pública - já vem da administração do secretário anterior, Giovani Gionédis, que imperava soberano e não permitia acesso fácil aos parlamentares e a quem mais o solicitasse.
Nestes tempos de revelação de escândalos e de negócios malfeitos dos administradores públicos, alenta verificar que providências saneadoras vêm sendo tomadas, com o enquadramento dos denunciados e as prisões que começam a acontecer, a recente criação da Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita e policia os atos governamentais, com severas sanções em caso de infringência, e a manifestação da sociedade organizada em defesa da moralidade pública, como ocorre agora com a Associação Comercial do Paraná, ao cobrar transparência dos atos do governo.





