Tudo está indicando um entrelaçamento nas relações dos envolvidos nas denúncias de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, tráfico de drogas e agora as irregularidades nos negócios do futebol. A CPI do Narcotráfico vai hoje a Maringá para uma acareação entre o ex-secretário da Fazenda do município, Luis Paolicchi - que está preso naquela cidade - e um traficante internacional preso em Curitiba.
O Ministério Público investiga a ligação do ex-secretário com o doleiro Roberto Youssef, preso em Londrina, que confirmou haver feito empréstimos (sic) a Paolicchi, quando no exercício da função, valores que ‘‘somam milhões de reais’’, segundo disse. Paolicchi era secretário do prefeito Jairo Gianotto, que foi afastado da função.
Youssef está envolvido no recente escândalo de Londrina, sob a acusação de ‘‘lavagem’’ de R$ 120 mil, desviados da prefeitura em licitação fraudulenta realizada na Autarquia Municipal do Ambiente-AMA. Foi justamente em consequência de um grande número de denúncias contra atos ilícitos na AMA-Comurb que acabou afastado o prefeito Antonio Belinati. Em processos envolvendo esses dois órgãos também está indiciado o deputado federal José Janene.
E Youssef revelou, em seu depoimento à Promotoria de Justiça, haver depositado um cheque seu, de R$ 56 mil, na conta do Clube Atlético Paranaense, segundo ele a título de empréstimo. Esse cheque procede da Prefeitura de Maringá e foi entregue a Youssef por Paolicchi. Ontem a CPI do Senado que investiga os negócios do futebol quebrou o sigilo bancário e fiscal desse clube e de seu diretor de marketing, Mário Celso Petráglia, além de outros nomes.
Roberto Youssef também é acusado de ser o responsável por contas fantasmas no Banestado, que juntas teriam movimentado R$ 150 milhões, de maio de 98 a janeiro de 99, e a Justiça já começa a tomar depoimentos de ex-diretores do banco, denunciados juntos com o doleiro.
Há todo um encadeamento nessas relações, que o Ministério Público continua investigando. Alguns casos já chegaram à esfera de decisões judiciais.
Do primeiro depoimento do ex-secretário pouco foi revelado à imprensa, a não ser que ele ‘‘se emocionou e chorou bastante’’.
Nesta fase de tomada de depoimentos muitas coisas serão guardadas em segredo de Justiça, para não prejudicar investigações, mas é certo que, com a prisão de Paolicchi e de Youssef, o cerco vai se fechando. Esse entrelaçamento dos envolvidos pode conduzir ao escândalo dos precatórios e da Banestado Leasing, e ao destino do dinheiro que viajava pela rota São Paulo-Londrina-Foz do Iguaçu no segundo semestre de 1998.
Se saberá, afinal, não só os nomes de todos os envolvidos, mas o montante desviado, porque os cidadãos não desejam apenas assistir a julgamentos e prisões, mas que seja devolvido o que corresponde a roubo dos cofres públicos.

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