A privatização do Banestado revela que o governo estadual tem R$ 1,8 bilhão a receber de empresas paranaenses, por conta de empréstimos, e surpreende a informação de que houve pouco interesse em reaver esses créditos, mesmo tendo alguns devedores se apresentado para negociar, e que desse montante 70% são considerados perdidos.
Num momento em que assistimos ao Governo impondo o pagamento antecipado do IPVA, desequilibrando o orçamento doméstico dos cidadãos, e que os servidores da área de saúde reclamam melhoria salarial, defasados que foram em 47,9% desde que Jaime Lerner assumiu, causa perplexidade esses estranhos comportamentos governamentais. Um ex-diretor do Banestado
disse textualmente: ‘‘Por razão inexplicável o Estado não cobra as dívidas.’’
Essa razão inexplicável é que os cidadãos gostariam de ver explicada, neste Estado onde nada se explica e os poderes que deveriam exigir essa explicação nada cobram.
A perda, calculada em R$ 1,26 bilhão, é número muito expressivo para o governo lançá-lo à conta dos perdidos, sabendo-se que é equivalente a dois meses de arrecadação tributária. Há casos de dívidas antigas, e a esta altura imagina-se quantos favorecimentos houve, com a frouxidão da cobrança e as pendências sendo empurradas para a frente.
Na venda do Banestado estes créditos não entraram nas negociações, pois o Banco Central quis poupar o comprador, leia-se Banco Itaú, obrigando que esse ‘‘mico’’ passasse para o Estado. Só um dos devedores, a Cidade Industrial de Curitiba, deve R$ 53,8 milhões.
Estranha o pouco empenho do governo em receber dessas empresas, ou de negociar fórmulas de ressarcimento dos débitos, quando aos cidadãos comuns se impõe o ônus do pedágio, o pagamento antecipado do IPVA, cortes imediatos de água e luz quando a conta não é paga.
Contra os cidadãos do povo a ação arrecadadora é imediata e às vezes perversa. Ademais, se as empresas devedoras não pagarem, alguém terá que arcar com o rombo, e já se sabe quem será.
Enquanto isto, o governador Jaime Lerner viaja. Agora mesmo descansa em Paris, depois de passar por Amsterdã, para receber homenagem. E aqui ficam os problemas, como a sangria do pedágio, o aumento recente das tarifas (que já forçou ao menos um dono de negócio à margem da rodovia a encerrar atividades, por diminuição de fregueses), servidores públicos com atrasados por receber, policiais em serviço tendo que pedir comida em restaurantes, como lemos neste jornal, e uma infinidade de outras questões não resolvidas.

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