Pelo que demonstram os depoimentos populares, o que mais os cidadãos esperam dos prefeitos que assumem em janeiro é honestidade. Já nem se fixam em grandes obras, porque sabem que os recursos escasseiam e que é volumosa a herança de dívidas. Querem apenas que os administradores públicos sejam honestos.
Em nosso País, infelizmente, a honestidade dos governantes passou a ser um atributo, digno de receber menção e aplauso, quando deveria ser algo natural. É muito pouco que seja apenas esta a expectativa, mas demonstra a realidade a que chegamos, ante as denúncias e comprovações de tanta corrupção e tanto desperdício de dinheiro público.
É alentador que as verdades cheguem à tona e os corruptos comecem a ser punidos – embora o ideal seria não ter de conviver com esses fatos – mas se observa que as irresponsabilidades ainda continuam, como esta do aumento dos salários e da divisão de lucros a que se deram os diretores e membros do Conselho de Administração da Sanepar. A questão já chegou à Assembléia Legislativa, pela mão da bancada oposicionista, que pede a anulação de mais essa barbaridade.
Também passam pelo crivo dos parlamentares – onde os defensores do sistema são maioria e estão sempre propensos a seguir a orientação que lhes dita o Palácio Iguaçu – questões como a voracidade do governo ao propor a antecipação da cobrança do IPVA e o aumento do ICMS de 17% para 25% sobre os serviços de telefonia e comunicações.
E outra questão, ainda não definida se é um novo imposto ou um repasse do que já é pago, é a proposta de criação do Fundo Estadual de Conservação Rodoviária, que retira de 1 a 2 centavos de real na venda de combustíveis.
As próprias sessões extras da Assembléia são uma mão enfiada no bolso dos cidadãos, pois custarão R$ 400 cada, por deputado. São reuniões que duram poucos minutos, e pela curta duração percebe-se que o que encerram poderia muito bem ter sido discutido nas sessões normais.
Está na lei – lei que o próprio sistema legislativo criou, em seu benefício – então não conta para os deputados a questão da moralidade e do decoro, e se há possibilidade de se apossar de mais dinheiro do povo, eles não a perdem.
São fatos como estes, e as barganhas, as negociatas, o descaso para o debate das grandes questões, a que se somam a sanha arrecadadora do governo e os seus desmandos, que levam os cidadãos a descrer dos governantes e a não respeitá-los, cansados também de nunca serem respeitados por eles.

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