A manobra dos deputados governistas da Assembléia Legislativa do Paraná, para impedir a criação das CPIs do Pedágio e dos Jogos Mundiais da Natureza, é uma ação antipovo e visa apenas o interesse desses parlamentares em atender ao governo estadual, e assim preservar os benefícios que eles usufruem dessa relação de servilismo, mesmo que os cidadãos – a quem deveriam servir – sejam prejudicados.
Como a lei prevê que apenas cinco CPIs podem funcionar simultaneamente – e estas já existem, aguardando-se que duas delas se encerrem para a entrada das do Pedágio e dos Jogos – os governistas adiantaram-se e protocolaram requerimentos pedindo a criação de cinco novas comissões, para obstruir a entrada das CPIs que não interessam ao governo, não obstante interessem à comunidade.
As cinco CPIs do oportunismo, ora propostas e engendradas de um dia para o outro – para investigar a obra inacabada do prédio do Fórum, em Curitiba, denúncias de irregularidades na telefonia celular e fixa, o vazamento de óleo no Rio Iguaçu, a cobrança de pedágio pelo MST nas áreas invadidas, e a concessão da malha ferroviária à América Latina Logística (ALL) – embora importantes não têm a urgência de uma CPI como a do Pedágio.
Aproveitando-se dos cochilos e da morosidade da oposição, os governistas tomaram a dianteira, buscando livrar o governo de duas investigações que lhe são espinhosas: a implantação do pedágio, tida como inconstitucional pela sua natureza, na avaliação de destacados juristas que analisaram os contratos, e a dos Jogos da Natureza, patrocinados pelo governo estadual, e que consumiram uma fortuna, sem nenhum resultado que justificasse o quanto neles se gastou.
Defendendo a estratégia dos seus pares, o líder governista Valdir Rossoni declarou que estas CPIs ‘‘representam interesse político e não técnico’’, um artifício verbal que não esclarece nada, eis que política é a ciência que rege os negócios públicos, é a arte de governar, é o princípio que caracteriza a estrutura constitucional, é a relação civilizada entre governantes e cidadãos e que deve privilegiar exclusivamente a estes.
As duas CPIs propostas estão perfeitamente enquadradas no fundamento científico da política. E não se alcança o que o deputado Rossoni quer dizer com ‘‘interesse técnico’’.
Um interesse bem explícito, isto sim, é o demonstrado agora pelos deputados governistas, ao tentar poupar o governo de uma investigação acerca das verdades do pedágio e da orgia de esbanjamento que foram os tais Jogos Mundiais da Natureza, que as CPIs viriam trazer à tona.

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