EDITORIAL
Não é inteiramente verdade que todas as investigações das CPIs, no Brasil, acabam em pizza, como se convencionou denominar os casos de corrupção em que ninguém é punido, tratando-se de poderosos. Se é desalentador constatar a situação a que chegamos, no Paraná e em todo o Brasil, com tantos escândalos envolvendo o poder público, as boas notícias, em meio à tristeza nacional por tais acontecimentos, são que importantes figuras estão sendo investigadas, afastadas de suas funções e indiciadas em processos criminais.
Parece que tudo começou com o experimento da cassação do presidente Fernando Collor, o primeiro caso do gênero no Brasil, e a seguir parlamentares tiveram destino idêntico, sendo inúmeros no momento os casos de destacados homens públicos, aparentemente intocáveis, denunciados em ações judiciais por corrupção e desmandos administrativos.
Não cabe neste espaço - porque o noticiário se basta - citar nomes e detalhes do episódio que ontem foi manchete de primeira página em todos os jornais paranaenses, anunciando o desfecho da CPI do Narcotráfico, que cita e indicia 110 pessoas do Paraná. Mas é alentador, para a sociedade já descrente de que a moralidade pública viesse a se instalar neste País, constatar que a parte sã dos poderes constituídos está indo fundo nas investigações, visando a depuração de seu próprio meio. Caso do Poder Legislativo com as CPIs, do Ministério Público, que nunca foi tão atuante como agora, e da Justiça em última instância.
Afastamentos de prefeitos, cassação de mandatos parlamentares, indiciamento de magistrados, transformaram-se em fatos comuns, quando até agora só eram comuns os seus desmandos e a impunidade. Sabem todos que estas barbaridades no poder público sempre existiram, e assim mesmo não deixa de causar perplexidade cada caso novo que é denunciado e tornado público, mas exalta a dignidade dos cidadãos essa corrente moralizadora que toma conta do País e mobiliza a própria sociedade, e a constatação de que, finalmente, os culpados começam a ser apontados e punidos.
Estes fatos, a lei de responsabilidade administrativa que acaba de entrar em vigor, visando disciplinar o uso do dinheiro público, novos prefeitos e vereadores assumindo, não constituem por si só garantia de que a moralidade pública já está assegurada, mas a verdade é que uma nova ordem se instala, com todos os sinais de que não haverá recuos.
Escandaliza assistirmos a tantas histórias de corrupção chegando à tona, mas temos que fazer um exercício de fé no futuro e incorporar estas verdades escandalosas às coisas desagradáveis do milênio que se encerra. Estes são momentos de avanço e de restauração de esperanças perdidas.





