A manifestação dos caminhoneiros contra o pedágio, em São Miguel do Iguaçu, é uma amostra do clima de revolta que impera e que deverá intensificar-se porque, na região de Maringá, entidades representativas do comércio e da indústria e motoristas autônomos também organizam um protesto, anunciado para amanhã. Em São Miguel os manifestantes distribuíram panfletos alertando que o aumento das tarifas pode ter efeito cascata sobre o preço dos alimentos.
Enquanto isto o governo do Estado protocolou um agravo de instrumento no Tribunal Regional Federal e espera uma decisão favorável, suspendendo o aumento do pedágio nas estradas de abrangência das concessionárias Rodonorte e Rodovia das Cataratas, sob a alegação de que não atenderam à meta de obras prevista nos contratos. Estribado neste argumento, também pede a suspensão das concessões a essas empresas.
É a primeira vez que o governo fala em quebra contratual embora, para os manifestantes de São Miguel, este seja apenas um jogo de cena. Não se sabendo o que realmente ocorre nessa relação entre governo e concessionárias, a verdade é que há muita intranquilidade e todos são unânimes no protesto, não apenas os usuários de veículos como os cidadãos em geral, porque os benefícios são poucos diante do alto custo que pesa sobre os seus ombros.
Basta imaginar quantos veículos cruzaram os portais do pedágio desde que o sistema foi implantado - números nunca mostrados - para imaginar a volumosa arrecadação. A contrapartida é muito pequena, resumindo-se na maquiagem, um contorno aqui, outro ali, curtos trechos de acostamento e algumas passarelas. O próprio governo o atesta, ao denunciar - ao menos duas concessionárias - por descumprimento do calendário de obras.
Empreendimento de vulto ainda não apareceu, ninguém conhece o volume da arrecadação mensal de cada praça de pedágio, o valor dos investimentos feitos até agora e qual é a cota de receita do governo nessa parceria. Tudo é nebuloso, mas o povo quer saber e tem esse direito.
Em face da indignação dos usuários, que é constante e não cessou desde o advento deste estranho modelo de pedágio, com ações de sindicatos de transportadoras e associações das classes, na Justiça, denunciando inconstitucionalidade do pedágio, paira um clima de ilegalidade, de arbítrio e instabilidade, e não se sabe até quando esse situação poderá se sustentar.
A proposta de implantação de uma CPI na Assembléia Legislativa ainda está indefinida, pela dificuldade em reunir o número de votos necessários, em que pese a relevância da questão, hoje assunto dominante de todos os paranaenses e motivo de apreensão, pelos rumos que possa tomar.

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