O medo do desemprego

Segundo pesquisa do Ibope, encomendada pela CNI e divulgada ontem, subiu de 32% em agosto para 38% em novembro a proporção dos que têm medo do desemprego. O que mais se destaca na pesquisa é o fato de 95% dos entrevistados estarem empregados. Praticamente todos, portanto, temem perder o emprego. Outro grupo grande, representando 68% dos entrevistados, acha que certos direitos trabalhistas, como carga horária limitada, férias e benefícios, deveriam ser modificados para permitir que patrões e empregados possam negociar uma redução ou suspensão temporária dos custos decorrentes. Isto visa um de dois objetivos fundamentais: cortar despesas e/ou contratar mão-de-obra temporária.
Uma conclusão, óbvia, é que a população está consciente de que a legislação é hoje um entrave a qualquer iniciativa capaz de mudar este quadro de incerteza quanto ao emprego. Outra, igualmente óbvia, é que o emprego temporário não ilude ninguém. Mesmo num momento propício, como o das festas de fim de ano, quando as vendas aumentam e os empregos informais ou legais proliferam.
O momento parece mais que oportuno para que as autoridades se debrucem com maior objetividade sobre a questão do emprego. Depois de seis meses de debates, a Câmara dos Deputados aprovou mudanças na legislação para permitir a contratação temporária de trabalhadores. Isto ajudará a minorar o problema, mas está longe de representar uma solução. Ademais, o projeto ainda tem que tramitar pelo Senado e persiste a ameaça da CUT de se mobilizar contra ele.
É preciso pensar em outras medidas que, em conjunto com a flexibilização das normas legais, estimulem o emprego na economia. E a CUT, por sinal, contribuiria muito se, em vez de fixar-se numa posição que não ajuda a resolver nada, oferecesse propostas para se obter um resultado melhor. É injustificável que a central sindical assuma a postura fatalista do ‘está ruim assim, mas é perigoso piorar’. Certamente, não há situação tão ruim na vida humana que não possa ficar pior. Mas é absurdo lutar contra mudanças quando o País já está cansado de saber que sua legislação trabalhista é anacrônica e enganosamente protecionista.
As mudanças aprovadas pela Câmara são ainda tímidas. E o problema do emprego vai se agravando a cada dia. A estabilização da economia abre melhores perspectivas para uma grande parcela da população que foi marginalizada por um longo período de inflação descontrolada. Mas, por si só, vai demorar muito para surtir efeito na área do emprego. Hoje, a estabilização leva as empresas não a admitir, mas a demitir - ou, na melhor hipótese, a não contratar. A palavra de comando é reduzir custos e racionalizar processos. Somente a longo prazo a estabilidade resultará em investimentos que farão as empresas crescer e contratar.
No momento, portanto, a diretriz deve ser a reforma da legislação trabalhista e a proposta de estímulos para o emprego. A redução dos encargos sobre o salário e o incentivo fiscal às empresas que gerarem empregos adicionais são iniciativas que devem ser consideradas com bom senso e responsabilidade. É preciso salvar os empregos já. Esperar pelos efeitos da estabilização é esperar demais. A hora de mudar corajosamente as leis é agora. E é isto o que a população quer para se livrar do medo, real, do desemprego.

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