EDITORIAL
Ao transpor as cancelas do pedágio, a partir deste 2 de dezembro, o cidadão paranaense terá deixado mais dinheiro em mãos de empresas que desconhece e para fins não suficientemente explicados, terá perdido mais um pouco do humor e da saúde - porque é penoso e dói - sentindo-se desrespeitado em seus direitos, com a sensação de impotência e sem encontrar justificativa convincente para o que estão fazendo com ele.
Indaga a si próprio qual a razão e não encontra resposta. Vê nos jornais os anúncios apregoando benefícios que ele roda e roda, mas não encontra, a não ser uma maquiagem aqui, outra ali, e imensas clareiras, a distâncias delimitadas, a indicar-lhe um novo ponto de parada obrigatória e de cobrança.
Por que lhe cobram este pedágio, por que é tão alto, por que os aumentos periódicos, se ele não encontra estradas novas construídas com dinheiro do pedágio nem percebe grande melhoria na manutenção das existentes?
Agora é tempo de pagar o IPVA, e adiantadamente, e ele lembra de haver lido que só no presente exercício a arrecadação desse imposto foi de R$ 227 milhões, no Paraná, metade distribuída entre os municípios e a outra metade destinada a outros fins, quando bem poderia custear a manutenção das rodovias.
Ele lê nos veículos de comunicação mais independentes, pela voz de conceituados jurisconsultos, que o modelo de cobrança do pedágio aqui implantado fere princípios constitucionais, e não compreende como algo possa vigorar na ilegalidade.
E então imagina que, se em dois anos, desde a implantação do pedágio - que começou com tarifas exorbitantes - houve dois aumentos, como será de agora até os próximos 22 anos?! Sim, porque os contratos vão ter validade por todo este tempo. Quando será o próximo aumento? - ele se pergunta. De quanto? A quem ele irá recorrer para defender-se? Não será este pedágio um saco sem fundo?
São indagações que o indefeso usuário faz, neste dia em que já amanhece um pouco mais pobre, porque já é devedor virtual de um percentual a mais, caso venha a utilizar-se das rodovias pedagiadas. Para não falar do aumento paralelo dos transportadores de cargas, que vem na esteira da majoração do pedágio, refletindo sobre o custo das mercadorias que todos consomem.
Quando ocorrerá o próximo sobressalto? Quantos anos durará essa agonia? A quanto chegará o custo do pedágio no momento em que as concessionárias construírem os próximos metros de estradas? Porque as obras que realizaram, até agora, ainda se medem por metros.
O usuário olha para o filho pequeno, com ele no carro, e imagina que daqui a duas décadas, portanto no ano 2020 do terceiro milênio, seu menino estará pagando pedágio às mesmas empresas, não se sabe a que preço, sem a garantia de que até lá alguma obra nova tenha sido construída.





