A declaração feita a este jornal pelo novo secretário da Fazenda do Paraná, Ingo Hubert, de que em três semanas apresentará ao governador Jaime Lerner um plano de ação para colocar em ordem as finanças do Estado, causou supresa e expectativa.
A surpresa está no pouco tempo que necessitará o secretário para tão gigantesca tarefa - a elaboração do plano - o que, se ele concretizar, irá conferir-lhe áurea de super-homem, porque nos quase seis anos do atual governo algo semelhante não aconteceu.
Sem desmerecer a competência do secretário, que acumula também a função de presidente da Copel, sua afirmação traz à tona a intrigante conclusão de que a solução para colocar em ordem as finanças do Estado não é tão difícil, já que, em apenas três semanas, a fórmula estará à mesa do chefe do governo.
Mas já se antevê que a formulação do plano nem exigirá tantas semanas, se o próprio secretário Ingo Hubert declara que a venda da Copel será um grande ingrediente para equilibrar as finanças. Naturalmente que o será, já que o grande ativo do Paraná é a parte acionária que lhe cabe na empresa: R$ 1,5 bilhão.
Então, é na liquidação desse patrimônio e na consequente capitalização do fundo do Paraná Previdência (que absorverá 70% do montante dessa venda) que o plano de ação se estriba. Não será, pois, um plano, mas uma liquidação.
O mais será a expectativa de aumento na arrecadação do ICMS. Mas esse aumento não poderá acontecer por decreto, porém implica em crescimento das fontes de produção e no incremento da circulação de mercadorias e dos serviços. E a privatização da Copel é, ainda, apenas uma intenção, com o próprio secretário afirmando que tal não é, no momento, prioridade do governo.
Então, salvo melhores explicações que o secretário venha a dar, é nebuloso esse enunciado de um plano de ação para colocar as finanças em ordem, calcado na expectativa do aumento do volume de receita do ICMS, que não ocorrerá a um passe de mágica, mesmo que o secretário espere que as empresas que tiveram dilação dos prazos de recolhimento desse imposto comecem imediatamente a pagar pelo vencimento dos prazos. Isso e a venda da Copel que, como diz o próprio governo, não é prioritária, não configura um plano.
Ao mencionar a esperada melhoria da receita do ICMS, o Secretário diz que isto ocorrerá, também, pelo ‘‘novo perfil econômico do Estado’’ mas que perfil é este, não se sabe. É certo que não se criará um novo perfil por encanto, então não se haverá de esperar melhoria de arrecadação através de algo não delineado, mais parecendo um sonho vago.
Atente-se que o secretário, em suas declarações, apenas menciona expectativas de receita, sem referir-se a programas que signifiquem contenção e readequação da máquina administrativa. Pelo que se deduz de suas palavras, contenção é o aviso de que não haverá dinheiro para os municípios, porém isto é subtração. -
Acredita-se, sim, que em três semanas o secretário da Fazenda tenha em mãos o balanço da situação das contas - afinal um exercício meramente contábil - mas não se encontra, em ponto algum de suas declarações acerca do plano, algo de sólido e concreto que faça crer em novo perfil econômico e em equilíbrio de finanças.

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