EDITORIAL
Quando um governador passa a não respeitar suas próprias afirmações, negando hoje o que garantiu ontem, já não respeita a si próprio, não respeita os cidadãos e instala a falência da palavra oficial.
Foi o que aconteceu com o governador Jaime Lerner, que terça-feira afirmou não ter um prazo definido para o novo reajuste das taxas do pedágio, e ontem as elevou em 16% para os veículos menores e em até 22,67% para os de maior porte.
Na mesma data, afirmou que o governo iria primeiramente verificar o que as concessionárias fizeram, se estavam honrando os compromissos, e só depois tomaria uma decisão. Garantias que deu publicamente, em sua visita a Campo Mourão.
Causa perplexidade ouvir o chefe do Governo afirmar que iria verificar o que as concessionárias fizeram, pois demonstrou não estar sabendo de nada sobre o que suas contratadas fizeram e estão fazendo, apesar das constantes reclamações dos usuários das rodovias.
Parecem ter razão os que afirmam que o governador Jaime Lerner não sabe que contratos assinou, ao implantar no Paraná esse equivocado modelo de pedágio.
Ora, esses contratos não se referem à compra de meia dúzia de bancos escolares, que aí se perdoaria o governador por eventuais desinformações a respeito. Trata-se de um compromisso que seu governo assumiu, em nome de 9 milhões de paranaenses, para vigorar por 24 anos e que envolve muito dinheiro e concessões que se arrastarão por futuros governos e terão a ver, inclusive, com usuários que ainda nem nasceram!
Desinformado que estava, como demonstrou, causa mais perplexidade constatar que o governador, em menos de 24 horas, pôde
inspecionar todas as obras e serviços de manutenção das seis concessionárias, nos quatro cantos do Estado, e haver-se municiado tão rapidamente das informações que lhe possibilitaram fazer as avaliações e estabelecer os índices de reajuste.
Caracteriza-se aí, nitidamente, a indiferença do Governo sobre o que se passa nas rodovias pedagiadas. Só os usuários sabem, eles que um dia amanheceram com as cancelas bloqueando-lhes a passagem nas rodovias.
Pelos contratos que assinou, o governador deveria saber que este novo aumento estava previsto para vigorar a partir de amanhã, então não se compreende como poderia haver declarado que não tinha prazo para estabelecer o reajuste.
Desinformação, irresponsabilidade por anunciar o que não poderia cumprir ante cláusulas contratuais, falência da palavra. E agora um novo aumento a sacrificar o bolso dos usuários, principalmente os transportadores de cargas que terão que repassar o aumento para o custo do frete, o que recairá sobre as mercadorias que transportam.
Cargas pesadas demais sobre os ombros dos cidadãos, proprietários de veículos ou não, porque essa cadeia de reajustes recairá sobre todos.





