Um alento para os cidadãos é assistir ao desassombro e à persistência do Ministério Público, em Londrina, que não se intimida nem se detém no prosseguimento das investigações que envolvem destacadas figuras públicas em acusações de improbidade administrativa.
Se, de um lado, lamenta-se que o episódio haja permitido manifestações públicas de ataque, por parte dos acusados, contra a ação das autoridades que comandam o processo de investigação, por outro se louva que os fatos estejam chegando ao conhecimento público e permitam que a sociedade organizada se manifeste, como aconteceu aqui, encorajando os ânimos de autoridades e cidadãos que buscam o esclarecimento da verdade e o império da moralidade.
A serenidade manifestada pelos integrantes do Ministério Público, que têm evitado envolver-se em polêmicas, não obstante alvos de ataques – os mais frequentes partindo de um dos denunciados – dá a garantia de que prevalece a autoridade do poder investigador. É essa garantia que robustece a crença popular na soberania da Justiça e estimula os cidadãos dotados de mais coragem e espírito público a se arrojarem na luta pelas grandes causas.
Depois de longos períodos de arbítrio e de instabilidade governamental vividos pelos cidadãos deste País, em tempos remotos e em passado mais recente, respira-se com mais alívio ao assistir que a justiça afinal se faz, contra aqueles que têm se julgado acima da lei e da ordem, e, por tradição de impunidade, levado os cidadãos ao desalento de acreditar que eles eram realmente intocáveis.
O exemplo do que pode a sabedoria da Justiça e a ação dos cidadãos, e de que Londrina foi palco, com a epopéia que resultou na cassação recente de seu prefeito, parece ter servido de encorajamento a outras comunidades, como na sequência ocorreu em Maringá, também com o afastamento do chefe do Executivo, e com investigações idênticas que acontecem em Guarapuava e, ultimamente, na própria capital do Estado, envolvendo o prefeito agora reeleito.
As três maiores cidades do Estado envolvidas, o que leva os cidadãos ao desencanto pelos seus administradores públicos, mas, por outro lado, ao alento de que já não há mais a garantia da impunidade.
Caem os maus gestores da administração pública, para, por este preço, salvarem-se as instituições. Terão valido a pena, só por isto, os escândalos. Lamentáveis que sejam – porque melhor seria que não acontecessem – eles sempre existiram, mas aos menos agora assistimos ao desmoronamento dessas estruturas de corrupção.
Uma nova ordem se instala, e os prefeitos que assumem em janeiro sabem que uma nova realidade os aguarda. Não bastasse os exemplos de advertência de que agora os cidadãos estão vigilantes, aguarda-os uma rigorosa Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que chega com plena força e que, se por si só, não garantirá probidade administrativa, ao menos está presente como espada de Dâmocles, pronta a cair sobre o pescoço de quem ouse desafiá-la.

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