EDITORIAL
Em termos de comércio, existem duas alternativas para evitar déficits: vender mais ou comprar menos. Esta realidade é palpável na complexa questão da balança comercial. O Brasil vem lutando há anos para reduzir o déficit que ocorre porque o país importa mais do que exporta. Estimular a exportação pode ser uma alternativa eficiente, mas ampliar os mercados para os produtos nacionais, na medida necessária para alcançar superávits não é fácil, pela possibilidade de criação de barreiras que limitam as operações comerciais internacionais, apesar dos esforços de órgãos como a Organização Mundial do Comércio.
Neste momento, parece inegável que, para o Brasil, além do esforço para aumentar as vendas para o exterior, um caminho adequado seria o de reduzir as compras, principalmente do que pode ser produzido aqui. É o caso do trigo. Industriais e produtores de trigo, reunidos no VII Seminário Internacional Trigo-Brasil, realizado em Foz do Iguaçu, defendem a idéia da redução da importação do grão, amenizando a dependência externa e reduzindo os gastos com a aquisição do produto. O Brasil, conforme dados citados no seminário, produz 2,4 milhões de toneladas, com um consumo estimado, para este ano, de 9,3 milhões de toneladas. No próximo ano, o consumo deve subir para 11,08 milhões de toneladas, gerando a necessidade de aumentar ainda mais a importação.
Os industriais e produtores reunidos em Foz anunciaram a intenção de duplicar, em três anos, a produção brasileira, meta que não garante a auto-suficiência, mas reduz a dependência e os gastos. Vale rememorar que o Brasil já realizou, há 30 anos, um esforço para satisfazer a demanda interna de trigo. Isto aconteceu quando os preços do petróleo quadruplicaram, gerando um déficit enorme na balança comercial pela dependência do
Brasil em importar petróleo e levando à necessidade de estabelecer programas de racionalização do consumo, de alternativas energéticas, e dentre outros, o de estímulo ao aumento da produção do trigo, para reduzir a necessidade de importação do produto.
Como acontece com tantos outros programas que envolvem a agricultura, inclusive o do álcool, não existe continuidade nas políticas de incentivo à produção. Por isso, é preciso começar tudo outra vez. Se as lições do passado forem adequadamente aprendidas, será possível tornar realidade este projeto da Associação Brasileira da Indústria de Trigo, retomando um processo que não só aliviará a conta daquele produto como também criara condições para que a produção agrícola brasileira atinja patamares mais elevados.





